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O grão-mufti (líder religioso islâmico) da Arábia Saudita, Abdelaziz al Sheij, respondeu esta semana às declarações de Abu Bakr al-Baghdadi, líder do Estado Islâmico, que no passado sábado disse aos israelitas que o grupo terrorista se está a aproximar do país: “Não pensem que nos esquecemos de vocês”, atirou Al-Baghdadi. Para o líder islâmico saudita as ameaças são “uma simples mentira”, isto porque, acusou, o Estado Islâmico “é um soldado de Israel“.

Em entrevista ao jornal saudita Okaz, citada pelo jornal espanhol ABC, Abdelaziz al Sheij diz que o Estado Islâmico é formado por “um grupo de doentes que prejudica o Islão” e que “os seus membros são uma extensão do grupo Carijitas, que se desviou da religião, que apelidou muçulmanos de ateus e que legitimou a sua morte”, tal como acontece agora com o Estado Islâmico.

Para mostrar como o grupo terrorista “prejudica” o Islão e é uma organização “instruída pelos [seus] inimigos”, o líder religioso da Arábia Saudita deu o exemplo da recente aliança formada por 34 países islâmicos (dos quais a Arábia Saudita faz parte), em que o Estado Islâmico não está presente: na opinião de al Sheij, isso demonstra que o autodenominado Estado Islâmico é um intruso dentro do islamismo.

Para além de fazer parte desta aliança, a Arábia Saudita está ainda incluída na coligação liderada pelos Estados Unidos, que tem como objetivo o bombardeamento de alvos estratégicos do Estado Islâmico. Abdelaziz al Sheij é a maior autoridade religiosa da corrente sunita e radical Wahhabi, também está uma ideologia radical islâmica, mas que ao contrário do Estado Islâmico condena o terrorismo e o procura combater.

No passado sábado, foi revelada uma gravação áudio onde o líder do Estado Islâmico, Abu Bakr al-Baghdadi, avisa os israelitas de que se estão a aproximar do país “de dia para dia”, e que a Palestina será “o cemitério” dos israelitas. Abu Bakr al-Baghdadi voltou ainda a reforçar a ideia de que “todos os muçulmanos têm a obrigação de implementar a jihad”.

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