Um juiz de um tribunal britânico deliberou esta quinta-feira que Vladimir Putin “provavelmente aprovou” o assassinato de Alexander Litvinenko, o ex-espião do KGB que morreu há quase 10 anos em Londres envenenado com polónio. A decisão dá razão à família de Litvinenko, que há muito acusavam o Presidente russo de ter ordenado a morte de Litvinenko. O governo russo já reagiu, garantido que esta decisão terá “consequências graves” para a relação entre Londres e Moscovo.

A deliberação do juiz Robert Owen, encarregue desta investigação, coloca um ponto final a um processo judicial longo que termina com a implicação do Kremlin na morte de Litvinenko. O juiz diz ter “a certeza” de que Lugovoy e Kovtun, os dois homens que terão envenenado o chá do ex-espião num hotel em Londres, “agiram por ordem de terceiros, quando envenenaram” Litvinenko.

A operação da agência estatal russa FSB para “matar o Sr. Litvinenko foi provavelmente aprovada pelo Sr. [Nikolai] Patrushev [então diretor da FSB] e, também, pelo Presidente Putin“, pode ler-se na deliberação final.

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Moscovo já reagiu considerando que o processo judicial foi um “teatro do absurdo” e garantindo que a decisão terá “consequências graves” para a relação entre Londres e Moscovo.

Moscovo não aceitará o veredicto do Tribunal britânico no caso Litvinenko, Londres violou o princípio da presunção de inocência. A decisão, ilegítima, terá consequências graves.

A viúva de Litvinenko, Marina Litvinenko, reagiu à decisão dizendo que está “muito satisfeita pelo facto de as palavras que o [seu] marido proferiu no seu leito de morte, acusando o Sr. Putin, foram provadas por um tribunal britânico”.

Agora, Marina Litvinenko pede que sejam aplicadas “sanções económicas e proibições de viajar para algumas pessoas, incluindo o Sr. Putin”. No entanto, a viúva do ex-espião russo diz que recebeu uma carta de um membro do governo que a leva a acreditar que “o primeiro-ministro [David Cameron] não fará nada em resposta às conclusões comprometedoras do juiz Robert Owen”.