O primeiro-ministro francês, Manuel Valls, está na Conferência de Segurança de Munique, onde deixou claro que não espera uma melhoria significativa dentro dos próximos tempos na luta contra o terrorismo na Europa e garante que vai haver novos atentados de grande escala na Europa.

“Nós devemos estar plenamente conscientes e agir com com uma força e uma lucidez enormes”, disse, numa conferência de imprensa na capital da Baviera. “Repito diante de vós o que já disse ao meus concidadãos: nós mudámos de época.” E deixou uma certeza: “Vai haver outros atentados de grande escala na Europa. Isso é certo”.

Nós entrámos, e todos o sentimos, numa nova época caracterizada pela presença durável do hiperterrorismo. Um hiperterrorismo que se encontra na confluência entre o pseudo-messianismo religioso e o uso do terror em massa.”

O socialista referiu-se ainda aos bombardeamentos russos na Síria, dirigindo-se ao seu homólogo de Moscovo, com o qual esteve sentado nas reuniões dos últimos dias a propósito da Conferência de Segurança de Munique: “Digo-o sem qualquer ambiguidade e com confiança em Dimitri Medvedev: a França respeita a Rússia e os seus interesses (…), mas nós sabemos que para encontrar a via da paz e da negociação, os bombardeamentos da população civil devem acabar”.

“Onde está a Merkel francesa?”

Mas não foi só a Rússia e o seu primeiro-ministro a quem Manuel Valls apontou o dedo. De forma algo irónica, o primeiro-ministro francês criticou a decisão da chanceler Angela Merkel de abrir as portas aos refugiados que chegavam à Europa. “Há alguns meses, os media franceses perguntavam ‘onde é que está a Merkel francensa?’ ou então queriam dar o prémio Nobel à chanceler. Hoje, vejo os resultados…”, disse num encontro com a imprensa francesa na noite de sexta-feira.

Sobre o tema dos refugiados, Manuel Valls foi perentório. O socialista francês esteve na manhã de sábado de visita a uma caserna militar convertida em centro de acolhimento nos arreadores de Munique, ocasião que aproveitou para “passar uma mensagem de eficácia e firmeza”: “A Europa não pode acolher mais refugiados”.

“É preciso sermos realistas: que país é que quer acolher mais migrantes? A Suécia, a Dinamarca, a Finlândia, que já tem muitos? O Reino Unido? Eu não quero fazer um desenho… A Itália, que pode a qualquer momento ser confrontada com mais uma vaga vinda da Líbia?”, disse. Quanto à França, falou da número que lhe cabe dentro dos 160 mil que o conjunto dos países da UE se comprometeram a receber a propósito dos programas de recolocação de refugiados: “A França está preparada para 30 mil refugiados. Dentro desse quadro, estamos prontos a acolher refugiados. Mas mais do que esses não”.

Assim, defende que a crise dos refugiados deve também passar contar com a ajuda de outros países. “As soluções estão (na região do) Levante, na Turquia, na Jordânia e no Mediterrâneo.” Mediterrâneo, leia-se, a parte não-europeia.