A retirada de cena do Presidente angolano não significa “necessariamente” uma mudança, mas “abre uma oportunidade para que algumas coisas melhorem”, considera uma investigadora da organização de defesa dos direitos humanos Human Rights Watch (HRW).

A partir de Inglaterra, Zenaida Machado, investigadora da Human Rights Watch para Angola e Moçambique, comentou o anúncio feito por José Eduardo dos Santos de que tenciona deixar a política ativa em 2018.

O anúncio de José Eduardo dos Santos foi feito em Luanda, na abertura da 11.ª reunião ordinária do Comité Central do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA, no poder em Angola desde 1975), convocada para preparar o congresso do partido, agendado para agosto e que servirá para preparar as candidaturas às eleições gerais de 2017 em Angola.

No discurso de hoje, o chefe de Estado angolano não clarificou em que moldes sairá da vida política ativa. Presidente de Angola desde setembro de 1979, cargo que assumiu após a morte de Agostinho Neto, o primeiro Presidente angolano.

Ora, passados quase 37 anos do mesmo Presidente no poder, a saída de José Eduardo dos Santos “vai permitir aos angolanos poderem escolher” e “isso é positivo”, sublinha Zenaida Machado.

“Todo o processo político que permite aos eleitores e aos cidadãos de determinado país terem várias opções de escolha é saudável e positivo”, considera.

Sendo “verdade que a saída do Presidente abre uma oportunidade para que algumas coisas melhorem, se ele realmente quiser sair do poder com uma figura melhor do que aquela que tem agora”, certo é também que a retirada de cena de José Eduardo dos Santos não significa, só por si, “necessariamente” uma mudança, observa a investigadora.

“Algumas questões de direitos humanos” estão relacionadas com “uma excessiva necessidade de proteger a estadia do Presidente no poder”, mas há problemas estruturais, refere.

“Gostaria de acreditar, mas não acredito, que todos os problemas de direitos humanos em Angola ficam resolvidos quando o Presidente José Eduardo dos Santos anuncia que vai sair, ou quando ele sair”, confessa Zenaida Machado.

Por isso, é preciso continuar “a garantir que, qualquer que seja o líder no poder em Angola, ou em qualquer outro país, respeita os direitos fundamentais dos cidadãos”, reconhece a ativista.