O Tesouro português emitiu nesta quarta-feira dívida pública num valor total ligeiramente superior a 1.000 milhões de euros. Foram cerca de 500 milhões a cinco anos, a emissão de referência, e mais cerca de 500 milhões numa linha “ultra-longa” para 2030. Os juros na emissão de referência, a cinco anos, caíram face a uma operação similar feita no início do mês.

O financiamento a cinco anos saiu com uma taxa média de 1,84%, menos do que os 2,0326% pagos a 9 de março. A descida dos juros explica-se pela melhoria da perceção de risco em torno de Portugal, uma vez aprovado o Orçamento do Estado, e pelo reforço dos estímulos monetários anunciado entretanto pelo Banco Central Europeu (BCE). Foram emitidos 504 milhões nesta linha de obrigações do Tesouro.

Além desta emissão a cinco anos, a Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública (IGCP) também emitiu dívida com maturidade em 2030 – um prazo, portanto, de cerca de 15 anos. A taxa nesta emissão foi de 3,362%.

“Resultado notável”, diz um especialista

“Os 1.007 milhões de euros captados situam-se ligeiramente acima do topo do intervalo indicativo entre os 750 milhões e os 1000 milhões de euros, o que é resultado notável, se considerarmos que os juros exigidos baixaram na linha a cinco anos”, diz Steven Santos, gestor do BiG, em nota de reação.

“Com a menor incerteza política sobre o Orçamento de Estado para 2016 e depois de o BCE ter anunciado que irá aumentar a compra mensal de dívida pública em 20 mil milhões de euros, Portugal tem beneficiado de uma queda expressiva dos juros no mercado secundário”, nota o especialista, elogiando o timing da operação.

Já Filipe Silva, diretor de gestão de ativos do Banco Carregosa, diz que “o mais importante a salientar nesta emissão é que é com dívida de longo prazo que Portugal baixa o custo médio do seu financiamento”. “Considero estas taxas muito favoráveis para o país que vão baixar esse custo”, diz o especialista.