A política europeia deve “fazer muito mais” para apoiar a economia e secundar os esforços do Banco Central Europeu (BCE) para impulsionar o crescimento e os preços na zona euro, defendeu hoje o presidente da instituição.

Mario Draghi falava em conferência de imprensa após a reunião de política monetária do BCE.

“Para colher os benefícios das nossas medidas de política monetária, outras esferas devem contribuir de forma muito mais decisiva a nível nacional e a nível europeu”, declarou Draghi, que tem feito sucessivos apelos aos governos para fazerem reformas estruturais, mas hoje foi mais incisivo.

“Com algumas raras exceções, a nossa política monetária tem sido a única nos últimos quatro anos a apoiar o crescimento” na zona euro, apontou.

Draghi reiterou que o BCE continua determinado a utilizar “todos os instrumentos disponíveis” para estimular a inflação.

“Se for necessário, utilizaremos todos os instrumentos disponíveis no âmbito do nosso mandato”, garantiu, depois de o BCE já ter reforçado na reunião de março as medidas de estímulo, com um corte das taxas de juro e um aumento do programa de compra de ativos, que passou de 60 mil milhões de euros mensais para 80 mil milhões de euros.

O presidente do BCE defendeu também que se deve dar mais tempo para que as medidas adotadas pela instituição produzam efeitos e revelem a sua “eficácia”.

“A nossa política funciona, é eficaz, deem-lhe tempo para ser totalmente eficaz”, afirmou, acrescentando “se houver reformas estruturais, o efeito dessa política será mais rápido”.

Na sua reunião de hoje, o BCE deixou as taxas de juro inalteradas.

“Porta aberta” a mais estímulos, diz a Ebury

Enrique Díaz-Álvarez, diretor de risco da Ebury, diz que “o anúncio do Banco Central Europeu de hoje não trouxe grandes surpresas, uma vez que o Conselho manteve a sua política monetária inalterada. Os decisores políticos preferiram aguardar para conhecer o efeito das medidas de estímulo adicionais do mês passado, tanto no crescimento como na inflação, antes de se comprometerem com mais”.

O Presidente Draghi avisou que a inflação poderia passar para terreno negativo nos próximos meses, correndo o risco de permanecer em sentido descendente. A economia deverá, no entanto, continuar a recuperar, dada a melhoria das condições financeiras.”

O especialista da Ebury acrescenta que “Draghi deixou a porta aberta a eventuais estímulos adicionais, ao dar a entender que o BCE poderia vir a proceder a cortes adicionais nas taxas de juro, mantendo-as em valores baixos para além do horizonte da aquisição de ativos”.

Quanto ao impacto nos mercados cambiais, Enrique Díaz-Álvarez diz que “o pico imediato a que assistimos no euro foi, portanto, surpreendente, dado que nas suas declarações no mês passado havia referido que era “improvável” que viéssemos a assistir a taxas mais baixas”. Olhando para o futuro a Ebury acredita que é provável que o euro se mantenha nos níveis atuais até que a Reserva Federal reforce a sua mensagem acerca de aumentos da taxa de juro nos EUA em 2016.