Está a ser construída na Argélia aquela que será a terceira maior mesquita do mundo e que terá o mais alto minarete construído até hoje. A grande mesquita de Argel vai ter capacidade para acolher 120 mil fiéis num espaço com cerca de 20 mil metros quadrados. No mesmo complexo vai ainda existir uma biblioteca com um milhão de livros, uma escola de Corão, um museu de arte e História islâmicas, restaurantes e lojas.

De acordo com as autoridades argelinas, citadas pela imprensa local e pela agência AFP, o projeto deverá estar concluído no fim de 2016 e marca o início de uma nova fase na vida de Alger. Situado junto à baía da cidade, o complexo vai ajudar ao desenvolvimento turístico da zona, ao mesmo tempo que, garantem os responsáveis argelinos, se tornará um bastião contra o Islão radical e extremista, outrora fortemente radicado em alguns bairros da cidade. “Alguns acusam-nos de estarmos a construir um templo para extremistas. Pelo contrário, será um duro golpe para eles. São os únicos que não gostam deste projeto”, disse à AFP Ahmed Madani, um conselheiro do ministro do Urbanismo.

A construção desta grande mesquita — cujo minarete terá 265 metros de altura — era uma ambição antiga da Argélia, mas a instabilidade política que se seguiu à independência de França e, mais tarde, a guerra civil que devastou o país durante onze anos impediu a concretização do projeto até agora. Com a chegada ao poder do atual presidente, Abdelaziz Bouteflika, em 1999, a mesquita começou lentamente a sair do papel, mas a instabilidade provocada pela Primavera Árabe e pela queda dos preços do petróleo levou a que as obras só se iniciassem em 2012.

Na Argélia existem atualmente cerca de 30 mil mesquitas e o elevado custo desta — cerca de 1,2 mil milhões de euros — é alvo de críticas de arquitetos, engenheiros e economistas argelinos, que classificam o projeto de “irrazoável” e alertam para custos ainda mais elevados se, por algum motivo, o prazo da obras não for cumprido. Por outro lado, muitos argelinos mobilizaram-se em petições que argumentavam que a Argélia tem outras obras mais urgentes com que se preocupar.

O governo desvaloriza estas críticas, preferindo sublinhar que a mesquita se tornará “num emblema do Islão moderado na Argélia e um escudo contra todo o tipo de extremismos”, disse Ahmed Madani, sublinhando a importância da existência da biblioteca, do museu e da escola de Corão, que, acredita, contribuirão para atrair jovens e desviando-os de outras mesquitas, mais radicais.