O parlamento grego aprovou neste domingo as medidas de austeridade exigidas pelos credores para a concessão de uma nova parcela do terceiro programa de resgate ao país negociado em 2015 e antes da reunião do Eurogrupo que se realiza nesta terça-feira, 24 de maio.

O projeto aprovado por 153 deputados em 300, prevê um mecanismo de correção automática em caso de derrapagem orçamental e medidas suplementares para acelerar as privatizações e aumentar os impostos indiretos.

O texto de 7.000 páginas, aprovado pela coligação governamental liderada pelo Syriza, já tinha sido adotado na sexta-feira em comissão parlamentar, com os votos do partido da esquerda grega do primeiro-ministro Alexis Tsipras e do seu aliado, o pequeno partido soberanista Anel (Gregos Independentes).

Os partidos da oposição votaram contra a maior parte das medidas apresentadas e acusaram Tsipras de arruinar a economia, referu a Bloomberg. Kyriakos Mitsotakis, líder do Nova Democracia, o maior partido da oposição, afirmou querer um “acordo de verdade” com os credores da Grécia, com o objetivo de acertar uma meta mais baixa para o excedente orçamental e a realização de mais reformas estruturais que ajudem a acelerar o crescimento.

Mitsotakis acrescentou que a Grécia pode alcançar um superávit orçamental, excetuando os juros da dívida pública, de 2% do produto interno bruto (PIB) e contestou a credibilidade da meta de 3,5% prometida pelo governo, indo ao encontro do ceticismo já manifestado pelo Fundo Monetário Internacional e pelo Banco da Grécia sobre o tema.

O pacote de medidas aprovado neste domingo visa criar condições para que Atenas receba a próxima tranche da ajuda financeira acertada em meados de 2015, no terceiro resgate ao país desde 2010. A Grécia também pretende obter dos restantes 18 parceiros da zona euro um alívio no serviço da dívida relativa aos financiamentos superiores a 200 mil milhões de euros que já foram concedidos pelos credores oficiais ao país.

Entre as decisões que receberam “luz verde” do Parlamento grego está o aumento da taxa normal do imposto sobre o valor acrescentado (IVA) de 23% para 24%, a introdução de tributação sobre o café, cigarros eletrónicos, telecomunicações fixas, pay TV e estadas em hotéis, além de cortes em prestações sociais para pensionistas com baixos rendimentos.