Assunção Cristas, líder do CDS-PP, também escreveu a Jean-Claude Juncker a manifestar a sua oposição à aplicação de sanções a Portugal. Na carta, a presidente dos centristas avisa que uma penalização infligirá “um golpe rude no sentimento europeu que tem sido maioritário em Portugal”. Mas aproveita para se demarcar das políticas seguidas pelo Governo de António Costa.

Para a líder do CDS, há três motivos fundamentais pelos quais a aplicação de sanções a Portugal é “uma injustiça flagrante”. Primeiro, o anterior Governo tomou posse com um défice orçamental de 11% e conseguiu reduzi-lo para cerca de 3%. Aqui, Assunção Cristas assegura que segundo os “melhores cálculos” do anterior Executivo, do qual faz parte, o défice no final de 2015 “não atingiria os 3%”.

Segundo, as sanções serão “manifestamente incompreendidas” pela população:

No atual contexto europeu, em que se espera um espírito criativo e de aproximação aos cidadãos, e perante uma população que ultrapassou uma das mais graves crises da sua história, a aplicação de sanções constituirá um golpe rude no sentimento europeu que tem sido maioritário em Portugal”, avisa Assunção Cristas.

O alerta ganha peso pela proximidade do referendo no Reino Unido, onde os britânicos escolheram sair da União Europeia.

Terceiro, porque a discordância do rumo escolhido pelo atual Executivo não deve servir de argumento para penalizar o passado, defende.

“A Comissão Europeia tem os instrumentos para acompanhar a ação deste Governo e prevenir atempadamente, na medida das suas competências, os desvios que coloquem em causa o cumprimento das regras pactuadas no seio da União Europeia”, frisa Assunção Cristas, aproveitando para deixar claro que a oposição do CDS-PP às sanções “não constitui qualquer adesão às políticas do atual Governo.”

O colégio de comissários reúne-se esta terça-feira em Bruxelas e um dos pontos na agenda será a “discussão sobre a situação orçamental em Espanha e em Portugal”. Contudo, este ponto aparece na ordem de trabalhos cuja decisão não está ainda pronta para ser tomada, pelo que a decisão sobre a recomendação da aplicação de sanções poderá ser adiada.