O Japão doou esta quarta-feira 10,9 milhões de milhões de euros a Moçambique para a construção de 13 pontes, apesar do caso das dívidas escondidas que levou à suspensão parcial da ajuda internacional.

“Apesar da questão da dívida não revelada, o Japão irá continuar a realizar cooperação financeira não-reembolsável com Moçambique”, declarou o embaixador nipónico em Maputo, Akira Mizutani, na assinatura do acordo de doação com a vice-ministra dos Negócios Estrangeiros e Cooperação moçambicana, Nyeleti Mondlane.

Apesar da referência às dívidas escondidas, o diplomata não deixou claro se o Japão suspendeu financiamentos a Moçambique, à semelhança do que aconteceu com o Fundo Monetário Internacional, o grupo de 14 doadores do orçamento do Estado e os EUA, após a revelação, em abril, de avultados encargos garantidos pelo Governo à revelia do parlamento e dos parceiros internacionais.

O entendimento assinado em Maputo prevê um financiamento do Japão de cerca de 11 milhões de euros que se junta à doação de outros 34,5 milhões de euros, em 2013, para a construção de 13 pontes na estrada que liga Ile e Cuamba, danificadas pelas cheias nas províncias da Zambézia e Niassa em janeiro do ano passado.

Com este financiamento adicional, o projeto, a cargo da empresa japonesa Kenoike Construction, deverá ficar concluído em 2017, com o objetivo de promover a vitalização da agricultura e a melhoria da distribuição de mercadorias no corredor de Nacala.

“Espero uma estreita e eficaz colaboração com as autoridades competentes de Moçambique, afastando para fora a barreira da burocracia”, declarou Akira Mizutani, na cerimónia da assinatura do acordo.

A vice-ministra dos Negócios Estrangeiros e Cooperação de Moçambique destacou, por seu lado, que este financiamento “irá contribuir para o melhoramento das vias de acesso no corredor de Nacala e maior fluxo na circulação de pessoas e bens”.

Nyeleti Mondlane saudou a colaboração entre Moçambique e Japão, ao abrigo de um acordo bilateral assinado em 2014, e que prevê a reabilitação do porto de Nacala, a construção dos institutos de ciências sociais de saúde de Nacala e Maputo, o laboratório de análise de plantas e solos na província de Nampula, no quadro do programa agrícola Prosavana, o instituto de formação de professores do ensino primário de Monape e o mercado do peixe, na capital moçambicana.