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“É uma questão de quando, não se.” O responsável máximo da polícia britânica afirma que “é muito provável” que aconteça um ataque terrorista ao Reino Unido brevemente, na sequência dos atentados que abalaram a Europa e o Médio Oriente nos últimos meses.

Num texto publicado no blogue oficial da Polícia Metropolitana de Londres, Bernard Hogan-Howe, comissário daquela força e o agente mais importante do sistema policial britânico, escreve que é natural que exista medo e “uma sensação de que o Reino Unido vai ser a próxima vítima nesta onda cruel e inconsciente de homicídios em massa”. O responsável assume-se incapaz de apaziguar definitivamente esse medo:

“Eu sinto e compreendo esse medo e, enquanto agente policial responsável por prevenir um ataque desse género, sei que querem que eu vos tranquilize. Infelizmente, não o posso fazer na totalidade. O nosso nível de ameaça é “severo” há dois anos — e mantém-se assim. Isto significa que um ataque é muito provável — poderia dizer-se que é uma questão de quando, não se.”

Bernard Hogan-Howe assinala, contudo, que a polícia e os serviços secretos têm conseguido impedir diversos ataques nos últimos três anos, desde que, em maio de 2013, o soldado Lee Rigby foi assassinado em plena rua. Um dos ataques planeados visava militares dos Estados Unidos e outro tinha como alvo agentes da polícia britânica, escreve o comissário.

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Assim, apesar dos receios, Hogan-Howe sublinha que “há muitas coisas” a favor dos britânicos, como a relação entre as diferentes polícias e os serviços secretos, o controlo de armas e a própria insularidade do Reino Unido, que torna mais difícil a aquisição de armas e o planeamento de atentados.

Por outro lado, escreve o comissário, o “modo de vida e a cultura britânica” têm sido fundamentais para a prevenção do terrorismo no país. “Os nossos agentes de bairro — aqueles que conhecem as ruas, o ambiente e, muitas vezes, os nomes das pessoas das suas comunidades — são a nossa maior arma. Eles são os nossos olhos e ouvidos na rua”, afirma Bernard Hogan-Howe.

O comissário destaca ainda o ambiente de “tolerância e aceitação” que se vive no Reino Unido. “Não estigmatizamos os milhões de muçulmanos britânicos cujos valores e fé rejeitam completamente a litania de ódio dos terroristas”, lê-se no extenso texto, que lista de seguida algumas das medidas de segurança tomadas pelos britânicos depois dos ataques a Paris, em novembro. Num país em que a maioria dos agentes policiais não andam armados, esse número aumentou para 2.800 nos últimos meses.

O texto conclui com uma nota de esperança:

“Sim, estes podem parecer tempos negros e desesperantes, eu também o sinto às vezes, mas derrotar este terrorismo passa tanto por recusar ter medo como por qualquer outra coisa, recusar mudar as nossas crenças, os nossos valores e o nosso modo de vida. Nós não nos vamos tornar como eles, não vamos odiar, não nos vamos intimidar. E, por causa disto, eles nunca vão ganhar.”