É mais habitual as campanhas eleitorais darem prejuízo e dores de cabeça aos candidatos do que lucro, mas Marcelo Rebelo de Sousa nunca foi um candidato normal. Feitas as contas, entre as (poucas) despesas que o agora Presidente da República teve para montar a sua campanha, e as receitas que daí tirou, sobram 45 mil euros. Dinheiro que, segundo avança o Diário de Notícias na edição deste sábado, vai agora ser doado a uma instituição de solidariedade social.

Resta saber qual vai ser a instituição escolhida. Marcelo não revela para já, preferindo pensar bem no assunto, adiantando apenas que o anúncio será feito a 24 de janeiro de 2017, quando passar um ano das eleições presidenciais.

O bolo de 45 mil euros resulta dos quatro donativos que foram feitos a título individual para financiar a campanha do candidato, que não quis contar com o apoio de máquinas partidárias: um de 20 mil euros (do próprio Marcelo), dois de 10 mil, dos seus irmãos Pedro e António, e um outro de cinco mil euros, de Manuel de Brito, o homem responsável pelas contas da campanha. Era este o dinheiro que Marcelo tinha para erguer a sua campanha eleitoral na estrada, sem contar com a subvenção do Estado que só é atribuída depois da ida às urnas, sendo calculada em função do número de votos obtidos. Acontece que o valor da subvenção viria a revelar-se suficiente para fazer face às despesas, não tendo sido preciso mexer no bolo dos donativos.

A subvenção estatal representa, segundo se lê no site da CNE, um bolo total de 3.408.000 euros, que é depois repartido de forma proporcional pelas várias candidaturas que tiveram votações acima do limite dos 5%. 20% deste montante é distribuído de forma igual por todos os candidatos que cumpram os requisitos, enquanto os restantes 80% são distribuídos de forma proporcional consoante os resultados obtidos – recebe mais dinheiro o candidato mais votado. Mas como nas últimas eleições apenas Marcelo, Sampaio da Nóvoa e Marisa Matias tiveram resultados acima dos 5%, o montante do Estado teve apenas de ser distribuído por estas três candidaturas, calhando a fatia maior ao presidente eleito.

Maria de Belém e Edgar Silva, por exemplo, não tiveram direito a subvenção do Estado e a campanha da antiga presidente do PS registou mesmo um prejuízo na ordem dos 450 mil euros. Segundo o DN, a campanha de Edgar Silva também registou prejuízo mas o PCP cobriu o saldo negativo.

De acordo com o mesmo jornal, também a campanha de Sampaio da Nóvoa deu lucro, mas o candidato, que se tem mantido longe dos holofotes desde a noite eleitoral, não revelou o que vai fazer com o excedente monetário.