Tudo começou a 20 de dezembro de 2015, quando um resultado inconclusivo atirou o país vizinho para um vazio governativo que reina já há nove meses. Repetiram-se eleições e o cenário manteve-se o mesmo. Depois de já terem sido estudadas todas as alianças possíveis e imaginárias, parece que a solução pode estar na negociação entre o Partido Popular e o Ciudadanos.

Mas, para além da nomeação do novo Governo, preveem-se uns 45 dias quentes na política espanhola. Até o final de setembro há eleições na Galiza, Catalunha, uma moção de confiança a Puigdemont, presidente da Catalunha, e a aprovação do Orçamento do Estado.

O jornal espanhol El Confidencial reuniu um calendário que resume tudo o que pode acontecer nos próximos 45 dias, que retomamos aqui.

17 de agosto

Foi o dia em que o Comité Executivo Nacional do PP aprovou a negociação com o Ciudadanos para formar governo. Mariano Rajoy, presidente do PP e atual primeiro-ministro, tem agora liberdade para discutir com Albert Rivera, líder do Ciudadanos, as condições para formarem governo. Mesmo com o apoio do Ciudadanos e da Coalición Canaria, precisa de 11 abstenções para poder tomar posse como primeiro-ministro.

A partir de 18 de agosto

Mesmo depois de aprovadas as condições do Ciudadanos, serão necessárias negociações adicionais em quatro áreas fundamentais: reformas institucionais, política económica, política educativa e política social. Depois de acertados todos os detalhes, a presidente do Congresso, Ana Pastor, deverá anunciar a data do debate em que será discutida a proposta de governo.

Semana de 29 de agosto

Ainda não há acordo definitivo nem data oficial, mas os populares acreditam que o debate para decidir o novo governo comece no dia 30 de agosto. Assim sendo, a primeira votação seria dia 31 e a segunda no dia 2 de setembro.

Há, no entanto, alguns problemas com a presumível data. Rajoy cumpre, ainda, as funções de chefe de Governo e, como tal, nos dias 4 e 5 de setembro terá que viajar até Hangzhou, na China, para representar Espanha na cimeira do G-20. Tendo em conta a diferença horária entre os dois países, teria que sair de Espanha ainda no dia 3 de setembro. Caso a solução governativa seja aprovada, tanto ele como o seu governo só poderiam tomar posse depois da cimeira. Caso falhe novamente, a solução passará por novas eleições que, a realizarem-se, seriam marcadas para dia 25 de dezembro. Se este for o cenário, será a terceira vez no espaço de um ano que nuestros hermanos vão a votos.

Semana de 5 de setembro

Outra possibilidade seria a de adiar o debate para depois da cimeira. Nesse caso, o debate teria lugar a 6 de setembro, a primeira votação a 7 e a segunda no dia 9 de setembro. Mais uma vez, se a proposta não for aprovada, o país irá novamente a votos, desta feita no dia 1 de janeiro.

9 de setembro

O El Confidencial conseguiu apurar que esta é a data limite para que o PP apresente uma proposta governativa viável. Se não conseguir até então, serão marcadas novas eleições.

Primeira quinzena de setembro

Nesta altura, o Tribunal Constitucional deverá anunciar a decisão definitiva sobre o processo de independência da Catalunha que o Parlamento da região iniciou. A presidente do Parlamento da Catalunha, Carme Forcadell, o presidente do Governo, Carles Puigdemont e a Mesa do Parlamento podem vir a ser destituídos ou sancionados até 30.000 euros de multa. A previsão é de que a iniciativa secessionista seja anulada.

20 de setembro

Este é um dia essencial para o futuro do Estado catalão, já que é nesta data que os partidos Junts Pel Sí e CUP vão levar a plenário a segunda lei de independência.

25 de setembro

O País Basco e a Galiza vão a votos pela terceira vez desde 20 de dezembro.

No País Basco espera-se para ver se o Podemos ultrapassará o PNV e se Arnaldo Otegi será candidato pelo Bildu, partido independentista de esquerda, uma vez que foi condenado em 2011 por pertencer ao grupo terrorista ETA e, por isso, está proibido de exercer um cargo público até 2021.

Na Galiza vota-se a maioria absoluta do PP de Alberto Núñez Feijóo que tinha sido conquistada nas eleições gerais de 26 de junho. A coligação de esquerda Marea, da qual faz parte o Podemos, perdeu para o PSOE a condição de segunda força mais votada. O candidato do Partido Popular já anunciou que, se não conseguir manter a maioria absoluta, está disposto a negociar com o PSOE. No entanto, alerta que há também a possibilidade de que os socialistas se aliem com a coligação de esquerda.

28 de setembro

Este é o dia em que se vota a moção de confiança a Carlos Puidgemont, presidente do Executivo da Catalunha. Mais uma vez, levantam-se dois cenários possíveis: ou terminar o mandato, ou novas eleições.

Se falhar a moção, para a qual precisa de apoios da CUP, seria aberto um procedimento para a escolha de um novo presidente. Se isso não acontecer dentro do prazo estipulado, serão convocadas novas eleições.

30 de setembro

Neste dia termina o prazo para aprovação do Orçamento do Estado. Se nessa altura ainda não houver solução governativa em vista, o Orçamento em vigor será estendido até que haja novo governo. Se assim for, a União Europeia poderá sancionar o país em 6.100 milhões de euros.