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Pop! A onomatopeia serve para explicar que são poucas as passagens de ano que não arrancam com o estoiro de uma rolha projetada da garrafa de espumante (sim, espumante e não champanhe). Faz parte de um ritual que começa mal a escuridão se instala no dia 31 de dezembro e tem o seu clímax aquando das 12 badaladas, esse anúncio sonoro de um novo ano e de uma nova etapa.

Ao contrário do que se possa pensar, espumantes há muitos. Mais e menos secos, mas também na versão tinta, branca e rosé, pelo que talvez não seja fácil escolher um para uma ocasião que muitos consideram tão importante. A pensar na difícil tarefa de percorrer corredores de supermercados — e na esperança de evitar olhares absortos para rótulos poucos familiares –, consultámos o escanção Sérgio Antunes. Mas antes das perguntas que precisam de ser respondidas, há uma ideia fundamental a reter: em ambiente de festa não faz mal haver estoiro, espuma e copos a transbordar.

View of champagne glasses at a beach bar set up along the Croisette during the 66th edition of the Cannes Film Festival in Cannes on May 17, 2013. AFP PHOTO / LOIC VENANCE (Photo credit should read LOIC VENANCE/AFP/Getty Images)

LOIC VENANCE/AFP/Getty Images

Qual é a diferença entre espumante e champanhe?

Preto no branco, falar em espumante não é o mesmo que falar em champanhe — o último remete para os vinhos produzidos na região francesa de Champagne. O mesmo acontece com o italiano Prosecco ou com o espanhol Cava.

O que é, então, um vinho espumante?

O vinho espumante distingue-se dos demais por causa da segunda fermentação que ocorre em garrafa fechada, uma vez que só dessa forma é possível reter o gás natural — como quem diz as bolhas que associamos ao espumante. A fermentação dentro de um recipiente tapado diz respeito à forma mais tradicional de produção, o método champenoise, mas há ainda uma alternativa que vale a pena ser comentada: o método charmat, que consiste em fermentar o vinho dentro de grandes tonéis para mais tarde engarrafá-lo.

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Que tipos de espumante existem?

Os espumantes variam sobretudo consoante o açúcar que é adicionado por altura da segunda fermentação (na primeira fermentação as leveduras transformam o açúcar em álcool). Por esse motivo, existem diferentes categorias: bruto natural (sem adição de açúcar após a fermentação), extra bruto (até 6 g/l), bruto (menos de 12 g/l), extra seco (entre 12 e 17 g/l), seco (entre 17 e 32 g/l), meio seco (entre 32 e 50 g/l) e doce (mais de 50 g/l). Esclarece ainda o escanção que o espumante (ou champanhe) dificilmente passa os 12,5, 13% de álcool, e que as regiões portuguesas mais afamadas pela produção da bebida são Bairrada e Távora-Varosa.

Onde devem ser guardadas as garrafas?

Ao contrário do que se possa pensar, o frigorífico não é um bom amigo do espumante, uma vez que contribui para que as rolhas das garrafas fiquem secas. E porque é que isso é importante? Seca a rolha, perde-se o gás. O ideal é encontrar um local escuro, com pouca ou nenhuma luz, com a humidade a rondar os 80% (no mínimo) e sem qualquer corrente de ar por perto. O cuidado tem razão de ser, até porque tal permite que não existam alterações à estrutura do vinho. A título de exemplo, o escanção recorda que muitas caves de champanhe e espumante vão até aos 20, 30 metros de profundidade, embora hoje em dia as novas adegas tenham lugares específicos (e à superfície) em ambientes controlados.

Bottles of "Armand de Brignac" Champagne are seen in the cellars of the Cattier champagne family house on November 6, 2014 in Chigny-les-Roses, south of Reims, northeastern France. Hip-hop mogul Jay Z has shown his fondness for Armand de Brignac Champagne for years and on November 5, 2014 he bought the brand. Sovereign Brands, a New York-based wine and spirits company which owned the label, said it was selling it to Jay Z for an undisclosed amount. AFP PHOTO / FRANCOIS NASCIMBENI (Photo credit should read FRANCOIS NASCIMBENI/AFP/Getty Images)

FRANCOIS NASCIMBENI/AFP/Getty Images

Como se deve abrir uma garrafa de vinho espumante?

Desta vez a resposta fica a cargo do Huffington Post que há precisamente um ano publicava um trabalho com sete dicas para cuidar do espumante lá de casa. Sobre como abrir a garrafa, a proposta é a seguinte: “primeiro, coloque o polegar em cima da rolha, pressione; depois desenrole o arame que envolve a rolha e, por fim, com a outra mão, comece a desenroscar a garrafa da rolha, e não o contrário.”

E a que temperatura deve ser servido?

A temperatura até é bastante variável, podendo ir dos seis aos 12 graus. Perante tanta disparidade, a dúvida sobre que grau escolher atenua quando escrevemos que “quanto mais complexo for o espumante, mais elevada é a temperatura”.

Mas em que copos?

Adeus flûte, adeus taça larga ao estilo cocktail. É que nem uma nem outra são bons exemplos de copos onde servir o espumante. A primeira, sendo estreita, tende a esconder os aromas e os sabores, enquanto a segunda é demasiado aberta. Como de costume o meio está na virtude, pelo que o copo associado ao vinho branco será o mais aconselhado por permitir que os aromas sobressaiam.

ASCOT, ENGLAND - JUNE 19: (EDITORS NOTE: This image was processed using digital filters) A macro view of champagne in a glass during Royal Ascot 2015 at Ascot racecourse on June 19, 2015 in Ascot, England. (Photo by Alan Crowhurst/Getty Images for Ascot Racecourse)

Alan Crowhurst/Getty Images for Ascot Racecourse

O espumante pode acompanhar a ceia?

“O espumante é provavelmente o vinho mais versátil de todos, aquele que acompanha tudo o que é gastronomia”, garante Sérgio Antunes. Tal justifica-se pelo facto de a bebida em questão ser refrescante e ter estrutura. “O espumante nunca passa por cima de nenhum alimento. Se tivéssemos de escolher um vinho para acompanhar qualquer tipo de comida, seria um espumante ou um champanhe.”

Artigo originalmente publicado a 30.12.2015 e atualizado a 28.12.2017