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O médico Daniel Serrão morreu na madrugada deste domingo, aos 88 anos, apurou o Observador junto de fonte da família. Reconhecido pelo seu trabalho no campo da ética e da bioética, o professor universitário serviu como conselheiro do Papa por ser membro da Academia Pontifícia para a Vida.

De acordo com a Agência Lusa, Serrão terá morrido de problemas respiratórios decorrentes de um atropelamento que tinha sofrido há mais de dois anos e do qual nunca chegou a recuperar.

Daniel Serrão nasceu a a 1 de março de 1928 na freguesia de S. Diniz, na cidade de Vila Real, em Trás-os-Montes. Completou o curso de Medicina em 1951, com uma média final de 17 valores e doutorou-se em 1959, com 19 valores. Antes passou pelos Liceus de Viana do Castelo e Coimbra. Em Aveiro termina, em 1945, o Curso Complementar de Ciências, com 18 valores.

Dez anos depois, concorreu a professor extraordinário de Anatomia Patológica, sendo aprovado por unanimidade. Casou em 1958 com Maria do Rosário de Castro Quaresma Valladares Souto, de quem teve seis filhos.

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De outubro de 1967 a novembro de 1969, esteve mobilizado, em Luanda, prestando serviço no Hospital Militar como anátomo-patologista e, em 1971, assumiu a direção do Serviço Académico e Hospitalar de Anatomia Patológica.

De 24 de junho de 1975 até 30 de junho de 1976 foi impedido de exercer as suas funções académicas e hospitalares, recorda o Diário de Notícias, que destaca que foi alvo de um saneamento selvagem, que foi anulado por decisão do Conselho da Revolução.

Montou e dirigiu um laboratório privado de Anatomia Patológica que, de julho de 1975 até dezembro de 2002, realizou um milhão e seiscentos mil exames histológicos e citológicos para hospitais públicos e para clientes privados.

Foi nomeado membro do Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida pela Academia das Ciências e designado como membro da Pontificia Accademia per la Vita, por convite do Papa João Paulo II, em 1994.

O velório irá decorrer este domingo na Igreja da Lapa, entre as 16h e as 20h, e o funeral realiza-se na segunda-feira pelas 9h45, saindo da mesma Igreja, disse à Agência Lusa o filho do médico, Manuel Serrão, empresário e comentador desportivo.

“Um Princípe da Medicina e um exemplo ético para os jovens médicos”

Em comunicado, o Conselho Regional do Norte da Ordem dos Médicos lembrou “um dos Príncipes da Medicina portuguesa, uma figura de referência no campo da Ética e da Medicina, um exemplo e uma referência para os médicos e para a sociedade civil”.

Destacando as “opiniões desassombradas contra a clonagem de embriões humanos” de Serrão, que “considerava um crime científico”, o Conselho Regional da Ordem dos Médicos elogiou o contributo do médico para “um notável impulso para o desenvolvimento da Anatomia Patológica em Portugal, além de uma dedicada atenção concedida à reflexão sobre o futuro, a estrutura e a sustentabilidade do Sistema Nacional de Saúde e a sua projeção nacional e internacional no campo da patologia e da ética médica e bioética”.

Honrar o seu vasto património intelectual e humanístico, que fará sempre parte da nossa memória individual e coletiva, é uma obrigação de todos nós“, frisou o Conselho Regional do Norte da Ordem dos Médicos.

Artigo atualizado às 16h50 com o comunicado do Conselho Regional do Norte da Ordem dos Médicos