A ONU declarou esta sexta-feira que as negociações de Genebra sobre a Síria, em fevereiro, se mantêm, ao contrário do que foi anunciado por Moscovo, disse uma porta-voz.

Esta manhã, o ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Serguei Lavrov, anunciou que as negociações de Genebra tinham sido adiadas. “Não há confirmação de que as conversações de fevereiro foram adiadas”, disse uma porta-voz do gabinete do enviado especial da ONU para a Síria, Staffan de Mistura.

Yara Sharif acrescentou que Staffan de Mistura tinha previsto uma deslocação a Nova Iorque, na próxima semana, para debater as negociações. Em Moscovo, Lavrov anunciou que as negociações de Genebra, previstas para começar a 8 de fevereiro, tinham sido adiadas até final do mês.

O chefe da diplomacia russa proferiu estas declarações num encontro com alguns representantes da oposição síria para debater as conversações de paz no Cazaquistão, que terminaram na terça-feira sem grandes progressos. Os principais grupos opositores não se deslocaram à capital russa para o encontro com Lavrov, numa altura em que Moscovo procura assumir um papel determinante na Síria, depois do apoio militar dado ao regime de Bashar al-Assad.

Representantes da oposição armada e Damasco deviam ter mantido as primeiras negociações diretas em Astana, mas a recusa dos rebeldes, devido às violações da trégua pelas tropas do regime, obrigou os mediadores a fazer a ligação entre os dois lados. Rússia, Turquia e Irão apadrinharam as conversações e o principal resultado foi um acordo entre estes três lados para tentar preservar a frágil trégua no terreno.

A última iniciativa de paz para pôr fim à guerra, que matou mais de 300 mil pessoas desde 2011, surgiu depois de o regime sírio, com a ajuda da Rússia e do Irão, ter expulsado os rebeldes da zona leste de Alepo no mês passado.