O Presidente dos EUA, Donald Trump, demitiu a procuradora-geral interina, Sally Yates, depois de esta ter dito aos juristas do Departamento de Justiça para não cumprirem os requisitos da ordem executiva presidencial que levou ao fecho das fronteiras dos EUA a cidadãos de sete países de maioria muçulmana.

Este foi o culminar de uma noite agitada em Washington D.C., depois de Sally Yates ter dito que não estava “convencida” da legalidade da ordem executiva de Donald Trump. Segundo o The New York Times, Sally Yates recebeu uma carta a informá-la da sua demissão assinada por um dos funcionários do Presidente norte-americano. Pouco depois, a Casa Branca emitiu um comunicado onde o assessor de imprensa, Sean Spicer, escrevia: “A senhora Yates era uma escolha da administração de Obama que é fraca em matéria de fronteiras e muito na imigração ilegal”.

Sally Yates era procuradora-geral interina e uma escolha de Barack Obama, que a nomeou para o cargo de vice-procuradora geral em 2015 e Loretta Lynch para procuradora-geral. Nos EUA, o procurador-geral lidera o Departamento de Justiça. Para já, o cargo será ocupado pelo juiz Dana J. Boente, que até agora era procurador na Virginia. O nomeado de Donald Trump para o cargo, o senador do Alabama Jeff Sessions, ainda não foi aprovado pelo Senado.

Ainda antes de demiti-la, o Presidente dos EUA usou a sua conta pessoal de Twitter — embora tenha uma oficial, Donald Trump continua a preferir usar a pessoal, onde tem mais de 23 milhões de seguidores — para criticar a oposição. “Os democratas estão a atrasar as minhas escolhas para o executivo por razões puramente política. Ele não podem fazer mais nada além de obstruírem. Agora, têm uma procuradora-geral de Obama”, escreveu. Horas depois, Donald Trump trataria de mudar essa situação.

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A decisão foi espoletada por uma declaração escrita de Sally Yates e que foi divulgada ao final do dia de segunda-feira. “Sou responsável por assegurar que as posições que adotamos nos tribunais se mantêm consistentes com obrigação solene desta instituição de procurar sempre a justiça [das decisões] e de defender o que é certo”, escreveu.

“Neste momento, não estou convencida de que a defesa da ordem executiva seja consistente com essas responsabilidades, nem estou convencida de que a ordem executiva seja legal. Enquanto for procuradora-geral interina, o Departamento de Justiça não apresentará argumentos a favor da ordem executiva, a menos que me convençam de que é apropriado fazê-lo”, escreveu Sally Yates.