Cerca de 600 agentes da polícia militar que estavam em greve no estado do Espírito Santo, no Brasil, voltaram no sábado ao fim da tarde ao trabalho, recomeçando o policiamento ao fim de oito dias de greve. De acordo com site da rede informativa Globo, estes polícias militares já estão nas ruas de Vitória, Vila Velha, Cariacica, Serra e Cachoeiro, mas não é ainda conhecido o resultado da chamada, feita na sexta-feira, de regresso ao trabalho.

Nalguns pontos da cidade de Vitória, a tropa compareceu em maior número para voltar ao trabalho, mas as famílias de alguns agentes de polícias militares continuam as manifestações, dificultando a saída dos agentes do quartel.

Ainda segundo a Globo, o comando da Polícia Militar está a usar helicópteros para colocar os militares nas ruas, superando assim o bloqueio que as famílias dos agentes fazem às entradas e saídas dos quartéis, exigindo salários mais altos e condições de trabalho melhores. Já foram colocados 70 polícias militares no patrulhamento das ruas usando este método.

Desde o início da crise, no dia 4 de fevereiro, já morreram 138 pessoas neste estado brasileiro, sendo que 40 dessas mortes aconteceram apenas num dia. Mais de 3 mil homens das Forças Armadas e da Força Nacional de Segurança continuam a atuar no estado, um número maior que o dos polícias militares que patrulham o Espírito Santo diariamente

Apesar do regresso dos agentes ao trabalho, permanece ainda a dúvida se os militares que fizeram greve serão punidos e como, mas o ministro da Secretaria do Governo, António Imbassahy, garantiu que não há qualquer possibilidade de amnistia, e o procurador-geral da república, também anunciou que está a estudar a possibilidade de tornar o crime de motim num crime federal.

Até sexta-feira, um total de 703 polícias foram indiciados por crime de “revolta”, cuja pena pode chegar aos 20 anos de prisão, e o secretário dos Direitos Humanos de Espírito Santo, Júlio César Pompeu, disse que as acusações já foram apresentadas e as investigações vão seguir o “curso normal”.

Com o fim da greve, mais de 3.000 soldados voltarão às ruas para realizar as patrulhas, mas a insegurança permanece grande e muitos estabelecimentos estiveram fechados durante toda a semana.

Na sexta-feira, um movimento semelhante teve início no Rio de Janeiro, onde vários regimentos da Polícia Militar foram bloqueados por famílias de agentes reclamando salários atrasados, mas a manutenção da ordem continuava a ser assegurada este sábado de manhã.