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A primeira perfuração para procurar petróleo ao largo da costa portuguesa poderá avançar ainda este ano ou em 2018. O presidente executivo da Galp, empresa que integra o consórcio que vai explorar os recursos ao largo do Baixo Alentejo, admite que o projeto avance ainda em 2017, mas a decisão tem que ser tomada nos próximos meses, até abril.

Carlos Gomes da Silva assegura que a perfuração só será feita “quando todas as condições estiverem reunidas” e há “janelas e momentos para fazer dentro das condições que estamos obrigados a fazer na indústria”, explicou o gestor à margem da apresentação do plano de negócios para os próximos cinco anos, que se realizou esta terça-feira em Londres. Durante esta apresentação, o administrador com pelouro da produção referiu como data indicativa 2018, o que seria um novo adiamento deste projeto que chegou a ser anunciado para 2015.

Em conversa com os jornalistas, Gomes da Silvam admitiu que o furo a cerca de 50 quilómetros da costa alentejana, na bacia de Aljezur, pode ainda ser feito este ano, acrescentando que o período entre abril e junho é a altura mais favorável para efetuar estas perfurações, por razões meteorológicas e do estado do mar. O gestor destacou as várias condições para passar à fase de decisão, desde o processo de licenciamento ambiental até ao licenciamento das operações.

Gomes da Silva não quis revelar a dimensão do investimento, porque esse valor deverá ser anunciado pelo operador do consórcio, a italiana Eni que tem 70%. A Galp tem 30%. Mas confirmou um valor de referência na indústria de um milhão de dólares por dia. Ou seja, o montante vai depender do tempo que pode variar entre os 45 e os 60 dias. O ex-presidente da Galp, Ferreira de Oliveira, chegou a avançar com um valor de referência de 100 milhões de dólares.

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Governo já “rasgou” contratos com Sousa Cintra e Repsol

O projeto de pesquisa e exploração de petróleo da Galp/Eni é o único que ainda se encontra em cima da mesa, depois de o Governo ter rescindido os contratos com a empresa de Sousa Cintra, para a região do Algarve, e com a Repsol, para a exploração de gás na costa algarvia. Estas decisões, justificadas com incumprimentos contratuais, foram tomadas no final do ano passado. E tiveram como pano de fundo a crescente contestação local, ambiental e do setor turístico ao desenvolvimento de atividades de exploração de hidrocarbonetos na costa portuguesa.

O furo na costa de Sines chegou a estar previsto para 2015 e para 2016, mas foi adiado, em parte porque o atual Executivo prolongou o período de consulta pública sobre o projeto que só recebeu a luz verde para avançar em janeiro deste ano. O presidente da Galp não foi muito claro quanto aos passos concretos que faltaria dar para pôr em marcha a perfuração.

Sobre as críticas à exploração, Gomes da Silva sublinha que esta é uma iniciativa que vai permitir conhecer melhor o leito submarino, não só ao nível dos recursos energéticos, mas também da biodiversidade. “Um pais que não conhece o seu potencial, não se desenvolve”. Estes projeto de pesquisa dos recursos petrolíferos têm uma taxa de sucesso inferior a 20% e só se forem encontrados recursos com valor comercial — esta avaliação depende muito do preço do petróleo e do gás natural — é que os operadores avançam com a decisão de iniciar a exploração.