Uma “intelectual super-relacionada”, com espírito “reformador” e capaz de “virar do avesso” o centro de poder no Parlamento Europeu. Maria João Rodrigues, eleita pelo PS, é a oitava pessoa mais influente naquela instituição de Bruxelas, na edição de 2017 da tabela onde constam os 40 nomes mais poderosos que o influente jornal Politico.eu divulgou esta quinta-feira.

Os 40 eurodeputados que importam em 2017“. É nesta tabela que a socialista surge pela primeira vez e é a ela que cabe representar exclusivamente a comitiva portuguesa em Bruxelas. Ex-ministra de António Guterres, Maria João Rodrigues tem um historial de 20 anos no Parlamento Europeu, onde chegou em 1997, altura em que — refere a nota que acompanha a fotografia da eurodeputada — se revelou “uma força importante (ao trabalhar com Jean-Claude Juncker) para que os capítulos dedicados a políticas sociais fossem acrescentados ao Tratado de Amesterdão da União Europeia”.

“Recebi com satisfação este reconhecimento”, assume Maria João Rodrigues ao Observador, numa reação à divulgação da lista.

É preciso que os portugueses continuem a marcar a agenda Europeia, como tem acontecido em vários momentos chave da construção europeia”, defende a eurodeputada portuguesa.

É o facto de a vertente social da União estar a ganhar peso em Bruxelas que justifica, para os autores do ranking, a entrada direta da socialista para o oitavo lugar. “Rodrigues está posicionada para ser a força condutora do tema no Parlamento Europeu”, refere a mesma nota, destacando mesmo a portuguesa como uma das “principais vendedoras”.

A socialista reconhece esse sinal: “Desta vez, com os deputados socialistas no Parlamento Europeu, com o Governo socialista no Conselho de Ministros e o Primeiro-ministro António Costa no Conselho Europeu, estamos a pôr a convergência económica e social e a reforma da zona euro no centro da agenda da União Europeia. Estamos a lutar para que esta União tenha futuro, para nós portugueses e para todos os europeus! É também preciso fazer política à escala europeia”.

No extremo oposto, não um eurodeputado, mas o próprio Reino Unido, surge como o “principal perdedor”. Com o acionador do artigo 50 do Tratado de Lisboa, que lança o processo de separação entre Londres e Bruxelas, o interesse político nos eurodeputados britânicos vais esmorecer, justifica-se. Foram todos excluídos da lista, com uma exceção apenas: Syed Kamall, que continua a liderar o grupo dos conservadores europeus.

Top 10 equilibrado: cinco mulheres e cinco homens

O Político.eu deixa claro que na preparação da lista não se orientou por quotas. Mais do que o género, a nacionalidade ou o posicionamento político, na hora da escolha o que pesou mesmo foi a relevância política e técnica dos eurodeputados na atividade diária de Bruxelas.

O que não significa que o resultado final não seja diversificado. Nos primeiros dez lugares há cinco homens e cinco mulheres. Dois alemães, dois italianos, um belga, uma sueca, duas francesas, uma portuguesa e uma espanhola. Por famílias políticas, os mais influentes dividem-se assim: quatro eurodeputados do Partido Popular Europeu, dois do ALDE (Liberais), dois da família dos Socialistas e Democratas e uma (Marine Le Pen) eurodeputada do grupo de eurocéticos de Bruxelas, a família da Europa das Nações e Liberdade.

À frente da portuguesa há apenas dois lugares ocupados por mulheres: Cecilia Wikström, em quarto lugar, ela que foi eleita em janeiro presidente do comité coordenador de comissões do Parlamento Europeu na sequência da eleição de Antonio Tajani para o lugar de Martin Schulz (foi, aliás, uma moeda de troca para garantir o apoio dos Liberais na votação), e a eurocética francesa Marine Le Pen, logo a seguir.

Trump (também) ergueu um muro entre os EUA e a União Europeia

A lista continua a ser liderada por um homem, mas já não pelo presidente do Parlamento. Tajani — “com propensão para se deixar distrair pela política interna italiana” — sucedeu Schulz com promessas de ser um presidente menos interventivo. Cumpriu e isso atirou-o para o segundo lugar do ranking, a seguir ao alemão Manfred Weber, líder do Partido Popular Europeu (a que pertencem PSD, CDS e MPT). É Weber quem, enquanto líder da maior família política europeia, “mantém a união do Parlamento Europeu“. Subiu três lugares nos últimos quatro anos. O seu adversário direto, Gianni Pittella, líder do S&D, a segunda família política mais numerosa de Bruxelas, conseguiu apenas no sexto lugar, o mesmo de 2016.

No terceiro lugar surge Guy Verhofstadt, líder dos Liberais europeus, “o melhor orador pro-UE” naquele hemiciclo e o homem a quem foi entregue a tarefa de negociar a saída do Reino Unido da União Europeia em nome do Parlamento Europeu. Como nota de interesse do belga, o Politico destaca “a escrita de livros” e a capacidade de “fazer-se presente em todos os debates e salas onde estão a ser tomadas decisões chave para a União”.

Metade das caras da edição deste ano não constavam do último ranking. Porquê? Trata-se de um “reflexo não apenas dos desempenhos individuais mas também da alteração das prioridades legislativas e das mexidas nas posições de topo” de Bruxelas, explica o jornal.

Apesar de serem muito menos, os alemães continuam a liderar a lista com 11 escolhas. França (com seis, duplicando o anterior resultado) e a Holanda (com três escolhas) são os países com maior representação. Como Portugal, que tem apenas um nome no ranking, estão a Irlanda, a Polónia, a Eslovénia e, já se disse, o Reino Unido.