Os advogados de José Sócrates, João Araújo e Pedro Delille, criticaram esta semana o Ministério Público (MP) por falta de “decência” e por passarem informações a “jornalistas amigos o que se recusa aos advogados de defesa”. Numa alusão às várias notícias que saíram sobre o interrogatório a Ricardo Salgado no âmbito da Operação Marquês, os advogados dizem que esta é uma forma do MP de “encarregar os jornais de apresentarem o que o MP não consegue, desde logo por meio de uma acusação”.

Esta sexta-feira à noite, voltaram às críticas, referindo-se às alegadas ligações do ex-Primeiro Ministro a Granadeiro e Bava, as quais negam.

José Sócrates, importa reafirma-lo, nunca teve dinheiro oculto em conta na Suíça, ou em qualquer outro lugar, nunca recebeu luvas de ninguém, nunca foi corrompido e é alheio a factos que digam respeito a estes outros assuntos. As suas relações com o Dr. Ricardo Salgado, com o Dr. Henrique Granadeiro e com o Engenheiro Zeinal Bava sempre se ativeram e limitaram ao plano institucional”, lê-se num curto comunicado enviado por João Araújo e Pedro Delille às redações.

No comunicado, Araújo e Delille acusam igualmente o MP de, “sem factos ou provas que sustentassem as imputações que lhe serviram para prender José Sócrates”, ensaiar uma “fuga para a frente” e tentar envolver José Sócrates nos processos da PT e do BES. “Estas novas ‘suspeitas’, tão fundadas quanto as anteriores, com que José Sócrates em momento algum foi confrontado, assentam em novas falsidades, são insultos e são infames”, continuam.

Por fim, prometem agir judicialmente contra a comunicação social que noticiou a alegada conivência do Governo de José Sócrates neste caso. “Porque as notícias agora publicadas representam outras tantas calúnias, José Sócrates irá processar os seus autores, sem ceder ao manto de impunidade com que os Tribunais tendem a proteger os caluniadores”, conclui.

Quem recebeu de Ricardo Salgado. Quando, como e porquê

Zeinal Bava e Henrique Granadeiro, antigos gestores da Portugal Telecom (PT) foram constituídos arguidos na Operação Marquês. São ambos suspeitos de corrupção passiva, além de fraude fiscal e branqueamento de capitais.

Além da compra da Oi pela PT, os dois ex-gestores da empresa de telecomunicações (ambos foram líderes da Comissão Executiva da empresa em diferentes alturas) terão sido confrontados com outros processos que envolvem o GES: a oposição à OPA da Sonae sobre a Portugal Telecom (PT) e a PT Multimédia em 2006/2007 com promessa de dividendos milionários; a cisão da PT Multimédia, que permitiu ganhos de 165 milhões de euros ao GES; a venda da Vivo à Telefónica em 2010 por 7,5 mil milhões de euros; e a compra de 22,28% do capital da Oi por parte da PT por 3,5 mil milhões de euros.

A equipa de investigação da Operação Marquês suspeita que, em cada um destes processos, o GES terá sido beneficiado pela administração da PT, com a alegada conivência do Governo de José Sócrates.