O portão de ferro não deixa enganar. Pintado de negro e ornamentado com duas caveiras de ambos os lados, não há nada de inocente dos terrenos verdejantes que crescem por detrás dele: “Estas plantas podem matar”, lê-se em dois painéis de ferro logo à entrada. O ameaçador aviso é o primeiro passo para o Jardim Venenoso de Alnwick, casa de 100 espécies vegetais venenosas que atrai 800 mil visitantes todos os anos.

Entre o complexo de jardins que em tempos pertenceu Castelo de Alnwick, no condado inglês de Northumberland, foram investidos em 2005 mais de 48 milhões de euros para trazer plantas tão perigosas como a noz-vómica ou a papoila dormideira para este canto de Inglaterra. Saiu tudo da ideia de Jane Percy, duquesa de Northumberland, pelas mãos de Jacques e Peter Wirtz, dois designers de exteriores belgas com reconhecimento internacional. “Eu perguntava-me porque é que tantos jardins em todo o mundo se concentravam tanto no poder de cura das plantas em vez de se interessarem pela sua capacidade de matar. Senti que a maioria das pessoas que eu conhecia estaria mais interessada em ouvir em quanto tempo morreria se entrasse em contacto com uma determinada planta ou quão horrível e dolorosa seria essa morte”, explicou em 1997 a duquesa.

A história dos jardins, no entanto, já ia longa. Associados ao castelo nas vizinhanças, foi o primeiro duque de Northumberland que o mandou plantar em 1750. O gosto reapareceu nos genes do terceiro duque do condado, que aproveitava todas as viagens pelo mundo para trazer novas sementes para Inglaterra. Foi ele que construiu estufas para plantar ananases e legumes nos Jardins de Alnwick.

Chegou o século XIX e o quarto duque de Northumberland já tinha enchido o jardim de avenidas, passagens e pontes. Mas depois, já no século XX, chegou a II Guerra Mundial. Os Jardins de Alnwick foram transformados em meio de substistência em tempos de guerra e os alimentos aqui plantados serviam para saciar a população. Em 1950, os jardins estavam destruídos e foram encerrados. Só ganharam vida quando, em 1997, a duquesa Jane Percy decidiu reerguer o jardim precisamente através da morte provocada por algumas plantas singelas e árvores aparentemente inofensivas.

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