Era uma candidatura há muito anunciada e tornou-se oficial este domingo: Susana Díaz é candidata à liderança do PSOE e vai enfrentar Patxi Lopez e Pedro Sánchez nas primárias dos socialistas espanhóis. Num comício com mais de sete mil pessoas — incluindo o antigo primeiro-ministro José Luis Zapatero e o histórico Filipe González — a presidente da região da Andaluzia quer que o PSOE volte a Governar “mas a partir da vitória“. Ou seja: só se for a força mais votada, descartando uma solução à semelhança da de António Costa, que uniu a esquerda em acordos que a oposição apelidou de “geringonça.”

Susana Díaz rejeita ficar refém do Podemos, sem nunca dizer o nome do partido de Pablo Iglesias. “O PSOE será sempre um projeto autónomo. Uma coisa é fazer acordos com um partido, outra é entregar o PSOE ou imitar outro partido”, disse a candidata socialista citada pelo El País.

Díaz explicou aos socialistas que quer “o voto dos que não têm ódio, dos que não guardam rancor, para voltarmos a ser o que fomos. Juntos. Levantando este país. A ganhar por Espanha. Pelo PSOE. Pelos cidadãos“. A candidata fez um discurso mais voltado para a conquista da governação espanhola do que do partido. Sobre as primárias, prometeu uma “campanha limpa.”

A secretária-geral do PSOE da Andaluzia lembrou os “três grandes desafios” do país: “A pobreza e a desigualdade; o crescimento dos populismos na Europa, com ondas de racismo e xenofobia; e a luta contra os nacionalismos”. A socialista fez ainda várias críticas ao Governo de Mariano Rajoy que acusou de ter “triturado” os direitos.

Díaz, que no ano passado travou uma guerra surda com o então secretário-geral do PSOE, Pedro Sánchez, levando ao seu afastamento, disse também este domingo que se apresenta à corrida para liderar os socialistas espanhóis “para devolver a ‘ilusión’ [palavra espanhola que significa ao mesmo tempo esperança e vontade de desempenhar bem um trabalho]” e para que o partido “volte a ganhar”.

Nas eleições legislativas espanholas de 2015 — e na repetição das mesmas em 2016 — o anterior líder, Pedro Sánchez, obteve os piores resultados do PSOE desde a Transição democrática espanhola, com o menor número de deputados. Perdeu, sobretudo, para o PP de Mariano Rajoy, que esteve no poder ao longo dos piores anos da crise económica europeia, com uma política de cortes salariais e ajudas aos bancos e numerosos casos de corrupção a envolver os “populares”.

“Sozinha não sou capaz de o fazer, preciso de toda a ajuda do partido. Peço a vossa ajuda para que o PSOE volte a liderar um projeto que tome conta de Espanha, peço-vos que me acompanhem e que me ajudem.” A nova candidata a líder nacional do PSOE (já o é dos socialistas da Andaluzia, a maior e mais populosa região de Espanha e último grande reduto político do partido) apelou a que as primárias do partido não se convertam numa corrida de acusações nem de “marketing”.

Também estiveram presentes muitos dos “barões” regionais do PSOE, aqueles que lutaram contra a liderança de Pedro Sánchez, que quis fazer uma aliança com o Podemos, de Pablo Iglesias, e com nacionalistas catalães, com o objetivo de repetir em Espanha um governo “à portuguesa”. À chegada, Felipe González sublinhou que a tarefa de qualquer um dos candidatos à liderança do PSOE “será a de unir o partido”. Ainda que não tenha dito especificamente que vai votar em Susana Díaz afirmou: “Estou aqui, não?”.

Zapatero, por seu lado, disse que com Susana Díaz é possível que o PSOE “possa ganhar a Rajoy e ao PP”. “Já o fez na Andaluzia e estou convencido de que também o vai fazer em Espanha”, sublinhou.

As primárias socialistas – nas quais poderão votar cerca de 190 mil militantes, do Partido dos Socialistas da Catalunha (PSC) e das Juventudes Socialistas — deverão realizar-se a 21 de maio. Só no próximo sábado, o Comité Federal socialista vai anunciar o calendário definitivo. Afastado da liderança no ano passado, Pedro Sánchez vai responder à demonstração de força de Susana Díaz em Madrid com um ato em Burjassot (Valência), onde espera reunir cerca de três mil militantes.