A população com menos de 15 anos de idade residente em Portugal diminuirá até 2080, passando dos atuais 1,5 milhões para menos de 1 milhão de pessoas, segundo uma projeção do Instituto Nacional de Estatística (INE).

O INE definiu quatro cenários de projeção da população: cenário baixo, cenário central, cenário alto e cenário sem migrações, com base em diferentes conjugações das hipóteses alternativas de evolução das componentes de evolução demográfica.

Segundo o INE, a diminuição de 1,5 milhões para menos de um milhão de pessoas enquadra-se no cenário central. De acordo com este cenário, a população jovem ficará abaixo do limiar de 1,4 milhões já no próximo ano (1.396.366).

Em 2023, deverá estar abaixo dos 1,3 milhões (1.290.266) e sete anos depois, abaixo dos 1,2 milhões (1.191.634) e, em 2046, abaixo dos 1,1 milhões (1.090.695).

A queda para menos de um milhão de jovens em Portugal deverá acontecer em 2055 (994.294).

As projeções da população residente entre 2015-2080 têm como população de base a estimativa provisória de população residente a 31 de dezembro de 2015.

Segundo a projeção do INE, mesmo considerando, neste cenário, um aumento da fecundidade assim como uma alteração para saldos migratórios positivos, a redução de mulheres em idade fértil que se verifica desde 2003 terá inevitavelmente como resultado a diminuição do número de nascimentos e, consequentemente, da população jovem nos próximos anos.

A tendência de decréscimo da população jovem está presente nos resultados de todos os cenários de projeção considerados, podendo oscilar entre 1,3 milhões no cenário alto e 0,5 milhões no cenário baixo, em 2080.

As diferenças na evolução deste grupo etário relacionam-se sobretudo com a influência dos saldos migratórios, dos níveis de fecundidade e da conjugação de ambos, nos diferentes cenários.

Esta evolução é também transversal a todas as regiões e em todos os cenários, com exceção da Área Metropolitana de Lisboa e do Algarve no cenário alto.

Já relativamente à população com 65 ou mais anos, a projeção revela que poderá passar de 2,1 para 2,8 milhões de pessoas, entre 2015 e 2080, no cenário central.

Contudo, o número de idosos atingirá o valor mais elevado no final da década de 40, momento a partir do qual passa a decrescer.

Esta situação, explica o INE, deve-se ao facto de entrarem nesta faixa etária gerações de menor dimensão, nascidas já num contexto de níveis de fecundidade abaixo do limiar de substituição das gerações.

Em 2080, a população idosa poderá atingir entre 3,3 milhões no cenário alto e 2,5 milhões de pessoas no cenário baixo.

O acréscimo mais acentuado no cenário alto resulta, sobretudo, de um maior aumento da esperança de vida considerado neste cenário.

A tendência de aumento da população idosa é transversal a todas as regiões e em qualquer dos cenários analisados, com exceção do Centro no cenário sem migrações e do Alentejo nos cenários baixo, central e sem migrações.

Esta analise como população de base a estimativa provisória de população residente a 31 de dezembro de 2015.

Segundo o INE, os resultados obtidos não devem ser entendidos como previsões, mas sim com um carater condicional uma vez que são determinados pelo volume e pela estrutura da população no momento da partida (2015) e pelos diferentes padrões de comportamento da fecundidade, da mortalidade e das migrações, estabelecidos em cada um dos cenários, ao longo do período de projeção.