António Costa

António Costa: “Se Guindos estiver disponível, é o nosso candidato”

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Em entrevista ao El País, António Costa avalia 500 dias de governo. Volta ainda a criticar Dijsselboem e assume que, se o espanhol Luis de Guindos estiver disponível, "é o nosso candidato".

FELIPE TRUEBA/EPA

António Costa considera que Dijsselboem “está de passagem” no Eurogrupo e que será “uma questão de tempo” até deixar a liderança. Em entrevista ao jornal espanhol El País, o primeiro-ministro português defende que “o presidente do Eurogrupo tem de ser alguém com capacidade de construir pontes e não um fator de divisão”, apontando que “esse é o problema com Dijsselboem; não é o mau gosto da sua versão pessoal sexista e racista, o pior é que debilita uma função central da Europa”.

Como substituto, António Costa aponta — como já tem vindo a fazer — o ministro espanhol Luis de Guindos, que “tem a visão global da Europa, a capacidade de fazer ponte entre diferentes economias, entre diferentes famílias políticas, vem de um grande país, mas compreende os pequenos”. Depois de ter confirmado que Mário Centeno foi sondado para a liderança do Eurogrupo e de ter sublinhado que esses contactos eram “prestigiantes para o nosso país”, Costa tem vindo a considerar que a presidência do grupo dos ministros europeus das Finanças “não é uma prioridade” para Centeno, uma vez que é “útil o ministro das Finanças ter uma margem de liberdade maior de movimentação no Eurogrupo”.

Acordos à esquerda são “experiência interessante e de êxito”

Questionado sobre a solução governativa encontrada pelo PS junto do Bloco de Esquerda e do PCP, António Costa sublinhou que “o novo em Portugal é que pela primeira vez o conjunto de partidos de esquerda compreendeu que podiam manter a sua identidade bem diferenciada, manter posições distintas sobre a Europa, mas também chegar a acordo sobre o que fazer em conjunto para mudar a política“. Para o primeiro-ministro, os acordos de esquerda, “sem competição entre nós”, tornou-se numa “experiência interessante e de êxito”.

Ainda assim, Costa diz que nunca se “atreveria” a passar a receita a Espanha, porque “cada país é distinto”. Segundo o primeiro-ministro, PS, Bloco e PCP só falaram “de política, nada de repartir cargos, porque nem o PCP nem o Bloco quiseram entrar no Governo”. O objetivo, defende Costa, é que os partidos trabalhem juntos, mantendo as suas posições: “A ideia não é que o PS se converta num partido de esquerda radical, ou o PCP em socialista. O êxito depende de que cada um mantenha a sua própria identidade”.

“Quando não há diferença entre as alternativas, o eleitorado vai para os extremos”

O primeiro-ministro falou ainda dos radicalismos e dos populismos na Europa, que existem, considera, “porque temos medo de múltiplos fatores, como conseguir emprego, defender o nosso modo de vida ou defender-nos do terrorismo”. António Costa atribui o crescimento dos populismos à falta de “alternativas entre as famílias políticas do quadro democrático”, considerando que “quando não há diferença entre as alternativas do campo democrático, o eleitorado vai para os extremos”.

E aponta Portugal como exemplo. “Em Portugal demonstrámos que é possível mudar de governo e de política dentro do quadro europeu; aumentar o salário mínimo, acabar com os cortes, reduzir a tributação e no final conseguir o melhor resultado orçamental de 42 anos de democracia, com défice de 2,1%. Demonstrámos que havia outro caminho, outra alternativa, e que tem melhores resultados”, defende.

É importante que “as negociações do Brexit se desenrolem com grande amizade”

Sobre a saída do Reino Unido da União Europeia, António Costa sublinhou que “o importante é que no final tenhamos uma melhor relação com o Reino Unido” e que “as negociações do Brexit se desenrolem com grande amizade”. Mas o Brexit também pode ser “uma oportunidade para acolher em Portugal empresas do Reino Unido que queiram manter-se na União Europeia. Simbolicamente, acaba de abrir em Portugal a startup Second Home, queremos ser a segunda casa dos britânicos”.

António Costa aproveitou a entrevista ainda para elogiar os méritos da diplomacia portuguesa. Questionado sobre a forma como tanto Portugal colocou Guterres à frente da ONU depois de ter Durão Barroso como líder da Comissão Europeia, Costa disse que “Portugal é um país aberto, sabemos construir pontes, isso é muito valorizado quando está na moda construir muros“.

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