A associação de futebol alemã teve a posição mais clara até ao momento. O presidente, Reinhard Grindel, disse que a “comunidade mundial de futebol deve concordar que os torneios de maior dimensão não devem ser disputados em países que apoiem ativamente o terror”. Entalado entre o Golfo Pérsico e a Arábia Saudita, o Qatar vê-se confrontado com a possibilidade de o campeonato do mundo de futebol, que ali deveria decorrer no inverno de 2022, não chegar a acontecer.

Arábia Saudita, Barein, Emirados Árabes Unidos, Iémen e Egito. Na prática, quase todos os vizinhos do Qatar cortaram relações com o pequeno país que tinha em curso uma megaoperação de logística com vista ao mundial de futebol de 2022. Estão a ser construídos nove estádios e todas as infraestruturas necessárias à realização do torneio, num país sem tradição com o futebol e que obrigou, até, a que o calendário da competição fosse alterado para que os jogadores pudessem ser poupados às elevadas temperaturas que se fazem sentir no verão.

Por estes dias, contam os media locais, a população dedica-se a acumular alimentos, precavendo-se para o eventual arrastar do bloqueio de relações anunciado esta semana e que deixou o país numa situação de sério isolamento do exterior. Tudo isto depois de o processo de escolha do anfitrião do torneio que se realiza daqui a cinco anos ter ficado manchado com as suspeitas de corrupção na cúpula da FIFA.

Qatar está pronto para receber o Mundial de 2022. E vai ser em grande

As relações entre o Qatar e a Irmandade Muçulmana já criavam incómodo junto dos parceiros mais próximos. Há duas semanas, o presidente dos EUA esteve na região e incentivou os líderes a tomar uma posição ativa no combate ao terrorismo. Consequência quase imediata: o corte total de relações, reforçado pelo argumento da Arábia Saudita de que o Qatar também apoiará a Al-Qaeda e o Estado Islâmico, organizações que têm espalhado o terror em países do Médio Oriente (com a Síria à cabeça) e no coração da Europa.

O ministro dos Negócios Estrangeiros do Qatar reagiu na defensiva. “O Estado do Qatar tem sido sujeito a uma campanha de mentiras que alcançaram o ponto da completa fabricação” de verdades. “Isto releva um plano para minar o Estado do Qatar”, referiu Mohammed bin Abdulrahman al-Thani.