Não foi em junho, como se chegou a dizer, será a 19 de julho. Precisamente três meses depois de a distrital do PSD de Lisboa ter aprovado o nome de Teresa Leal Coelho para a câmara da capital, a vice-presidente de Passos Coelho será mesmo oficialmente candidata. A apresentação da candidatura vai decorrer na próxima quarta-feira, dia 19, num evento na parte exterior da Fundação Champalimaud e contará com a presença do presidente do partido.

De acordo com a agência Lusa, o convite foi enviado esta sexta-feira aos militantes sociais-democratas. A apresentação da candidatura deverá ser o tiro de partida para Leal Coelho começar iniciativas de campanha eleitoral, e para apresentar o programa, já que tem estado resguardada e limitada a ações de comunicação. A divulgação de cartazes e outdoors começou na semana passada — e até isso não ficou isento de críticas.

É que, depois de tanta polémica em torno do nome que o PSD iria apostar para Lisboa nas autárquicas de 1 de outubro, e depois de a distrital ter falhado no recrutamento de Pedro Santana Lopes, a escolha assumida por Passos Coelho não agradou a todos, sendo que a publicitação dos cartazes foi mais um momento de críticas audíveis, com várias montagens a proliferarem nas redes sociais. O motivo da chacota foi o facto de o cartaz se limitar a um fundo branco com o rosto e o nome da candidata, portanto “sem ideias”, apenas um fundo branco e vazio.

Durante a noite desta quinta-feira foi colocado um novo cartaz na Segunda Circular, segundo a agência Lusa, depois de já ter sido colocado um outro na Praça de Espanha.

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O calendário estabelecido pelo partido para escolher os candidatos autárquicos era final de março, e foi cumprido: em meados de março Pedro Passos Coelho afirmou, sem especificar, que o nome do candidato social-democrata a Lisboa já estava definido e que se tratava de “uma boa escolha”. E dias depois, a 19 de março, a candidatura de Teresa Leal Coelho foi aprovada pela distrital de Lisboa do PSD.

O facto de Teresa Leal Coelho pouco ter aparecido no espaço público desde que se tornou público que seria candidata (deu apenas uma entrevista ao Observador, foi escolhida para discursar pelo PSD no 25 de Abril e foi protagonista da convenção autárquica de Lisboa) motivou sempre algumas críticas. Na entrevista ao Observador, a deputada e vice-presidente do PSD prometeu IMI zero para os munícipes de Lisboa, sendo que depois se veio a verificar que era uma gafe, já que tal está impedido por lei.

No final de maio, o candidato do PSD à Assembleia Municipal de Lisboa e autor do programa do PSD para a capital, José Eduardo Martins, tinha desvaloriza a ausência e avançado que a campanha arrancava em junho. “Vamos começar a campanha em junho e vamos fazer campanha intensa até outubro”, disse na altura.

Lisboa. José Eduardo Martins diz que campanha de Teresa Leal Coelho arranca em junho

Para a corrida autárquica na capital foram já anunciadas, além de Teresa Leal Coelho, as candidaturas da líder do CDS, Assunção Cristas; do comunista João Ferreira; do bloquista Ricardo Robles; de Inês Sousa Real (PAN); do atual presidente do município, Fernando Medina (PS); de Joana Amaral Dias (Nós, Cidadãos!) e do ex-autarca socialista Carlos Teixeira (independente apoiado pelo PDR e pelo JPP).

Assunção Cristas, de resto, já anunciou que era candidata há 10 meses, em setembro, tendo protagonizado vários momentos de campanha eleitoral, na rua ou em conferências, ou até no Parlamento quando anunciou que iria propor a construção de 20 novas estações de metro. Fernando Medina, o atual presidente que já se sabia que era candidato, apenas formalizou a sua candidatura no final de junho. Agora, Teresa Leal Coelho junta-se aos adversários.

Teresa de Andrade Leal Coelho, que completou 56 anos a 29 de março passado, nasceu em Moçambique e é licenciada em Direito pela Universidade Lusíada de Lisboa, onde leciona e pela qual tem o curso completo para doutoramento na área de jurídico-políticas. Foi pela primeira vez deputada à Assembleia da República na XII Legislatura (entre 2011/2015), eleita pelo círculo eleitoral do Porto, numa lista onde foi número dois, atrás do ex-ministro da Defesa José Pedro Aguiar-Branco.

Em 2015, foi cabeça de lista por Santarém e desempenha atualmente funções de deputada e presidente da Comissão de Orçamento, Finanças e Modernização Administrativa. No partido, é vice-presidente da Comissão Política Nacional desde 2012, tendo estado sempre nas direções de Pedro Passos Coelho, de quem é próxima e com quem fundou o grupo de reflexão “Pensar Portugal”.

Em Lisboa, integrou em 2007 a lista de Fernando Negrão, que se candidatou como independente pelo PSD, e é vereadora na Câmara Municipal de Lisboa desde 2013, depois de ter sido número dois da lista PSD/CDS/MPT encabeçada por Fernando Seara.