A Arkema – que gere a fábrica de químicos em Crosby, Texas, que explodiu na quinta-feira – admite que são “certamente esperadas” mais explosões, pelo menos oito, devido às inundações causadas pela tempestade tropical Harvey que deixaram a fábrica submersa em 1,80 metros de água.

Sem energia e com os geradores de emergência submersos, não houve forma de arrefecer as matérias-primas “altamente inflamáveis” e com os acessos à fábrica submersos, a solução mais viável é agora “deixar os focos de incêndio arderem até ao fim”, admite a empresa.

Queremos que os residentes locais tenham noção de que os produtos estão armazenados em várias localizações da fábrica e que o risco de mais explosões permanece”, lê o comunicado da Arkema

O problema que se levanta é a segurança e saúde dos residentes. Os químicos que já arderam e que ainda vão arder em Crosby provocam um fumo negro e espesso. A Arkema diz que “o fumo não causa problemas a longo prazo”, mas a FEMA – agência governamental que gere emergências – diz que o fumo é “altamente perigoso”. Contrariamente à posição pública da empresa, um administrador da Arkema, Rich Rennard, diz que o fumo pode irritar severamente os olhos, a pele e os pulmões.

Todos os residentes num raio de dois quilómetros e meio foram evacuados ainda antes das explosões, quando a Arkema anunciou que havia o potencial risco de explosão. No local ficaram apenas as autoridades locais e nacionais, que montaram um posto de comando para conter o perigo que a fábrica representava.

Pelo menos 15 polícias foram internados ontem na sequência das primeiras explosões, mas já todos receberam alta e não apresentam sequelas causadas pela inalação de fumos.

A fábrica foi encerrada na sexta-feira, horas antes do Harvey – na altura um furacão de categoria 4 – ter atingido o continente na costa do Texas, a cerca de 48 quilómetros de Corpus Christi. A eletricidade no complexo industrial foi cortada no domingo e, até aí, não houve problema. O que a Arkema não esperava era que as inundações afetassem por completo os geradores de emergência: ficaram submersos.

Foto: @DW_Brasil/Twitter

Como comunicámos há dias, a nossa instalação cumpriu todo o protocolo de preparação para o furacão e tínhamos todos os planos de contingência em ação, mas as cheias sem precedentes inundaram as nossas fontes de energia e geradores de emergência. Sem energia, os nossos postos de refrigeração desligaram-se. Alguns dos nossos peróxidos orgânicos ardem se não forem mantidos a baixas temperaturas“, comunicou a empresa.

Peróxidos orgânicos como aqueles que são produzidos na Arkema são utilizados na produção de fármacos, produtos de plástico e de limpeza e explosivos.