Mariana Mortágua considerou o facto de Graça Fonseca, secretária de Estado da Modernização Administrativa, ter assumido publicamente ser homossexual “importante para que a sociedade avance e desconstrua preconceitos”, mas também relevante a nível político.

“O ato da Graça é corajoso e importante politicamente”, afirmou a deputada do Bloco de Esquerda numa entrevista ao Diário de Notícias, publicada esta sexta-feira. Recorde-se que a governante assumiu a sua homossexualidade também numa entrevista ao mesmo jornal.

Graça Fonseca considera “importante” assumir homossexualidade

Relativamente à questão dos livros da Porto Editora, considerados sexistas, a bloquista disse não perceber por que se trata de uma polémica: “Não podemos dizer à boca-cheia que não somos sexistas, que queremos uma sociedade livre de sexismo e depois ser altamente permissivos com todas as formas de sexismo, nomeadamente a reprodução de papéis de género que estão na base do sexismo, ainda mais em materiais educativos para crianças de quatro a seis anos.”

A deputada sublinhou também a importância de as pessoas serem “brutalmente exigentes com a democracia” em Portugal e de não se permitir “a reprodução” de “estereótipos”, em particular em materiais educativos.

Ainda sobre a mesma questão, Mariana Mortágua acrescentou que não se trata de uma questão de “liberdade de expressão”, referindo que “não é liberdade ter material educativo que seja sexista (…) Tal como não é liberdade ter material educativo que seja racista”. E elogiou o papel da CIG – Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género ao recomendar a retirada dos livros. “Se aquele material fosse racista acho que não havia esta polémica. Incomoda-me quando se usa a questão da liberdade de expressão e da liberdade de sociedade para tentar manter opressões.”

A deputada, contudo, não soube explicar por que motivo o Bloco de Esquerda não fez comentários sobre esta polémica. “Se calhar estavam outras matérias em cima da mesa, pode ter sido uma questão conjuntural. Se há campo onde o BE não costuma estar muito calado e onde não tememos polémicas é neste.”