Autárquicas 2017

Sim, o Terreiro do Paço já teve árvores. 15 fotos mostram como os lisboetas aproveitavam a praça pombalina

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Quase 100 anos depois de terem sido retiradas, Assunção Cristas quer voltar a por árvores no Terreiro do Paço. À época, foram arrancadas por pressão dos arquitetos portugueses.

Joshua Benoliel/ Arquivo Fotográfico da Câmara Municipal de Lisboa

11 de dezembro de 1865. Quando Manuel Joaquim de Almeida, 1.º Barão de Alenquer, liderava a Câmara de Lisboa, o vereador Polycarpo dos Santos chegou à sessão municipal com uma proposta: colocar árvores na Praça do Comércio que dessem mais sombra a quem passeasse por aquelas bandas. A proposta de Polycarpo foi aceite: as árvores foram plantadas nas laterais do Terreiro do Paço ainda sem folhas e cresceram ao longo de muitos anos até que as copas frondosas dessem sombra verdadeiramente digna desse nome.

No final do século XIX e durante as primeiras décadas do século XX, as sombras das árvores cobriam boa parte dos passeios nas alas laterais do conjunto da praça pombalina. Em 1895, quando a reforma da arborização da praça ainda estava a decorrer, um Ofício ordenou a colocação de bancos de pedra debaixo das árvores: como eram muito caros — custavam 120 mil réis cada um –, foram colocados apenas seis bancos no primeiro ano e mais seis no segundo ano.

Mas foi sol (neste caso, sombra) de pouca dura. Nos anos 20, a Real Associação de Arquitetos começou a pressionar a Câmara, então liderada por Pedro Augusto Franco, 1.º Conde do Restelo, para retirar os bancos e as árvores da Praça do Comércio. A instituição dizia que as copas das árvores eram demasiado grandes e que quem estivesse no centro da praça não conseguiria ver as arcadas e as janelas do Terreiro do Paço. A Câmara cedeu à pressão da associação e, na segunda década do século XX, arrancou as árvores e retirou os bancos. E a Praça do Comércio ficou com o aspeto que hoje conhecemos.

Agora, Assunção Cristas pretende voltar atrás com esta decisão. Em entrevista ao Observador, no Carpool das Autárquicas, a candidata à Câmara Municipal de Lisboa explica que Cristina Castelo Branco, a arquiteta paisagista que é candidata à Assembleia Municipal, afirma que as árvores na Praça do Comércio conseguiriam baixar até nove graus a temperatura no local: “Hoje [o Terreiro do Paço] já começa a ser um local onde as pessoas param, sobretudo nas escadas, para comer uma sanduíche, por exemplo, mas esta praça ganharia muito se pudéssemos voltar a colocar árvores bem podadas, que são sombras, e que no fundo ajudariam a tornar a praça com uma escala mais humana e com espaços de lazer”. Isso ajudaria a tornar a praça menos quente durante o verão e menos exposta ao vento e frio durante o inverno, explicou Assunção Cristas ao Observador.

Se Assunção Cristas chegar à Câmara Municipal de Lisboa e se este plano for para a frente, a vista para o Terreiro do Paço seria muito parecida àquela que podemos ver nas fotografias do século XIX e XX guardadas no arquivo fotográfico da cidade.

Recuperámos 15 delas para que veja como era a vida em Lisboa quando a Praça do Comércio tinha árvores. Estão na fotogaleria.

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