Os astrofísicos vão estar de olhos postos no asteroide 2012 TC4, esta quinta-feira. É uma rocha do tamanho de uma casa que vai passar junto à Terra e foi detetada em 2012 pelo telescópio Pan-STARRS no Hawaii e só em julho foi avistada novamente, numa trajetória que poderá, no máximo, afetar alguns satélites.

A NASA confirma: não há motivo para alarme, e mesmo que o asteroide entrasse na atmosfera terrestre o resultado seria semelhante ao do meteoro que abalou Chelyabinsk, na Rússia, em 2013. O fenómeno só deverá ser visível na Austrália.

Apesar de não existir risco considerável de colisão, é uma ótima oportunidade para as agências espaciais testarem os protocolos de comunicação e tracking, na eventualidade de uma ameaça real e maior acontecer no futuro.

A passagem do asteroide simulada pela NASA, à escala (15 metros a 43 mil quilómetros)

Quão perto vai estar da Terra?

Muito perto. O TC4 tem entre 15 a 30 metros de diâmetro e desloca-se no espaço a uma velocidade de 25.749 quilómetros por hora. Deverá passar pela Terra na quinta-feira, às 7h00 (hora de Lisboa), a cerca de 43 mil quilómetros da atmosfera. Pode parecer que está longe, mas à escala planetária é como se falássemos de 1 centímetro. É apenas um oitavo da nossa distância à Lua e muito perto dos nossos satélites: os mais distantes estão a 36 mil quilómetros da atmosfera.

A passagem do TC4, com a órbita da Lua para comparação (Crédito: NASA/ESA)

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A Terra já foi atingida por asteroides e meteoros no passado, mas a probabilidade de um desses corpos celestes entrar em colisão e provocar alterações significativas à vida na Terra é remota.

A mais famosa dessas colisões deu-se há cerca de 65 milhões de anos na costa do que hoje é o México e acredita-se que terá levado à extinção dos dinossauros. Contudo, há exemplos mais recentes e menos dramáticos.

Em 2013 um meteoro deu entrada na atmosfera sobre a Rússia. Ao contrário de um asteroide, que é um pedaço sólido e coeso de rocha, os meteoros são pequenos aglomerados de detritos espaciais que entram em combustão durante a sua entrada na atmosfera.

De acordo com a Academia de Ciência Russa, o meteoro de Chelyabinsk pesava cerca de 10 toneladas e desfez-se antes de atingir o solo. Cerca de 1000 pessoas foram feridas por detritos em queda e uma onda de choque abalou a cidade russa, destruindo a maior parte das janelas.

A explosão do meteoro em Chelyabinsk teve mais força do que 30 bombas Hiroshima, de acordo com a NASA.

Em 1908, um asteroide atingiu a região de Tunguska na Rússia. Uma investigação só foi feita em 1927 e os relatos da época dizem que “uma bola de fogo entre os 50 e os 100 metros” atingiu o solo e incinerou cerca de 3.000 quilómetros quadrados de floresta.

Já a Agência Espacial Europeia (ESA), diz que um asteroide ou um meteoro do tamanho daquele que abalou Chelyabinsk atinge a Terra a cada 10 a 100 anos. Mais: a probabilidade de um corpo celeste semelhante ao de Tunguska atingir a Terra ronda os 100 a mil anos.

Apenas um objeto com mais de 40 metros exigiria das autoridades espaciais uma resposta, nomeadamente através de um satélite propulsor capaz de desviar a sua órbita ou até mesmo com explosivos que conseguissem dividir o corpo antes da sua entrada na atmosfera.