A PSA, que já tinha informado que o futuro Astra (da Opel e Vauxhall, marcas recentemente adquiridas pelos franceses) herdará uma das novas plataformas do grupo, que vai servir igualmente a Peugeot, Citroën e DS, anunciou esta semana um compromisso com as fábricas gaulesas do grupo. Os primeiros a somar dois e dois, em relação à ameaça que esta “simples” notícia encerra, foram os ingleses da Vauxhall.

Já se sabia que o Brexit vai obrigar os produtos fabricados no Reino Unido a serem taxados, antes de entrar nos países na União Europeia. Se a esta situação juntarmos a mudança da plataforma sobre a qual nasce o Astra, o que obviamente obrigaria a grandes investimentos para a adaptação da actual linha de produção britânica, é fácil perceber que a fábrica da Vauxhall em Ellesmere Port é uma carta fora do baralho. Pelo menos, daqui a três ou quatro anos, quando o modelo for substituído por uma nova geração, com chassi e mecânicas franceses.

Com a Opel e a Vauhall a serem deficitárias há anos – não ganharam um único cêntimo neste século –, quando controladas pelos americanos da General Motors (GM), é natural que o português Carlos Tavares, o actual CEO da PSA e o homem por detrás da aquisição das marcas que constituíam a divisão europeia da GM, as deseje conduzir rapidamente rumo aos lucros. O Brexit vai tornar um pesadelo financeiro produzir em Inglaterra para exportar para o resto da Europa, com a utilização de mecânicas do período da GM a dar igualmente grandes facadas no orçamento da PSA, pois tem de pagar direitos aos americanos enquanto a elas recorrer.

Tudo junto, é cada vez mais evidente que a Vauxhall tem as suas fábricas no Reino Unido condenadas a prazo. E o Brexit contribuiu para tal. Recorde-se que a Vauxhall emprega no Reino Unido cerca de 35.000 pessoas, 4.500 dos quais nas fábricas de Ellesmere Port e Lutton, funcionários cujo futuro parece longe de risonho (o acordo com a PSA só os defende até 2021).

Segundo o anúncio da PSA, as fábricas francesas de Sochaux e Mulhouse vão receber novos modelos entre 2020 e 2022,o que coincide com a data prevista para a renovação do Astra, que passará a utilizar a plataforma EMP2, a mesma que já é utilizada pelo Peugeot 308, bem como as respectivas mecânicas.