Cristiano Ronaldo rejeita a possibilidade de chegar a acordo com o fisco espanhol relativamente aos quatro crimes fiscais que lhe são atribuídos por considerar a acusação “inconsistente” e “sem fundamento algum”. O internacional português, que alegadamente deve 14,7 milhões de euros relativos a direitos de imagem, apresentou um documento ao Tribunal da Primeira Instância e Instrução número um de Pozuelo de Alarcón, Madrid, em que tece duras críticas às acusações feitas pelo Tesouro. A notícia é avançada pelo El Mundo, que teve acesso ao documento.

Entre as críticas feitas no documento, a defesa do jogador do Real Madrid afirma que a acusação é “facilmente desmontável por um observador objetivo” e que se assenta na “utilização arbitrária de critérios contrários ao Direito Tributário”. A questão é reduzida a uma “discrepância de critério” pelos advogados do português, que considera que a acusação não passa de um problema de “qualificação tributária”.

Ronaldo, que tanto em julho como em agosto deste ano já tinha negado qualquer intenção de fugir aos impostos, responde assim de vez às acusações de fraude fiscal. A defesa considera que a verdadeira causa da acusação está centrada “na diferença entre o declarado e o que a inspeção considera atribuível a Espanha”, rematando consequentemente que “o que se discute realmente não é a atribuição de direitos de imagem a uma sociedade residente nas Ilhas Virgens Britânicas”.

De acordo com o documento, o problema está “na qualificação dada pelo contribuinte aos valores obtidos como consequência da sua atribuição à pessoa física e o valor que é imputável ao território espanhol”, sublinhando ainda que a discrepância entre Ronaldo e o fisco reside “na qualificação dos valores declarados como rendimento do capital mobiliário e que valor se pode imputar a Espanha”.

Tudo isto significa que a sociedade offshore, a Tolin, está, de acordo com a defesa de Cristiano Ronaldo, “alheia à causa por que se considera que existe um delito fiscal” e que o único problema existente é de “qualificação tributária”.

Ronaldo é apenas um dos vários jogadores representados pelo agente português Jorge Mendes que, desde 2014, estão a ser investigados por fraude fiscal. Entre os nomes encontram-se Pepe, Fábio Coentrão, Ricardo Carvalho, Falcao e Di Maria. Dos jogadores referidos, apenas Pepe e Coentrão ainda não chegaram a acordo com o fisco. Ricardo Carvalho foi condenado a sete meses de prisão em pena suspensa e a uma multa de cerca de 143 mil euros. José Mourinho, igualmente representado por Mendes, também se encontra sob investigação.

A defesa de Ronaldo não atribui culpas a Jorge Mendes, que, segundo dizem no documento, não possui “conhecimentos tributários” que permitam suster a ideia de que tenha “contribuído para que Cristiano Ronaldo pagasse menos impostos”.