Incêndios

2017 será o pior ano em área ardida. Sistema europeu aponta para mais de 500 mil hectares

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Sistema de informação europeu indica que área ardida em Portugal ultrapassa 500 mil hectares. Não há dados oficiais, mas 2017 terá sido o pior ano de sempre. No domingo ardeu mais do que num ano.

TIAGO PETINGA/LUSA

Os dados mais recentes do sistema europeu de informação sobre fogos florestais, EFFIS na sigla inglesa, indicam que a área ardida em Portugal este ano supera já os 500 mil hectares. Em causa está uma área total ardida de 520 mil hectares, que é quatro vezes maior do que a registada no mesmo período na vizinha Espanha.

A confirmar-se este número, 2017 será o pior ano de sempre na dimensão da área ardida, desde que há registos fiáveis, passando à frente do ano negro de 2003 quando arderam 430 mil hectares. Este número até foi ultrapassado no levantamento provisório que está a ser feito no Instituto da Conservação da Natureza e Florestas (ICNF), O ICNF contabilizou até agora na sua plataforma interna cerca de 470 mil hectares, de acordo com informação obtida pelo Observador. Os dados ainda não são oficiais, mas a convicção no setor florestal é a de que este ano será passado o recorde de 2003, por causa dos fogos do último domingo.

Estatísticas do sistema de informação sobre fogos da União Europeia. Unidade: hectares

Até ao final de setembro, dados oficiais da Instituto da Conservação da Natureza e Florestas indicavam que tinha ardido 230 mil hectares, fazendo já deste ano o pior dos últimos dez. O salto na área ardida aconteceu com os incêndios dos últimos dias, verificados entre sábado e segunda-feira, mas com epicentro no domingo.

Um investigador do Instituto Superior de Agronomia (ISA) admite, em declarações ao Observador, que apenas no domingo terão ardido entre 120 mil a 150 mil hectares. Cardoso Pereira acrescenta que ardeu mais num só dia do que a média anual de área queimada — cem mil hectares. Domingo também fica para a história do fogos, como o dia com maior área ardida em 24 horas, ultrapassando os recorde atingidos no ano de 2003, quando nos grandes fogos de agosto chegaram a arder 50 mil hectares por dia.

As imagens do sistema EFFIS são captadas por satélite que, cruzadas com informação local detalhada sobre o território, permitem fazer uma cartografia automática, quase em tempo real, da dimensão das áreas afetadas pelos fogos. O mapa mostra enormes manchas no centro do país que apanharam zonas de densidade populacional importante, nos distritos de Leiria, Coimbra, Viseu, Guarda e Aveiro. Estas imagens são usadas pelo ICNF no levantamento oficial da área ardida que é complementado com informação recolhida localmente.

Para ter uma ideia mais precisa, é preciso retirar destas grandes manchas as zonas que não arderam, nomeadamente áreas urbanas, agrícolas, entre outras. E esse trabalho tem de ser feito no local, quer com recurso a fotografias tiradas de avião, quer com técnicos no terreno. O sistema não capta fogos inferiores a 30 hectares e tem algumas limitações, sobretudo em zonas cobertas por nuvens, mas os especialistas ouvidos pelo Observador admitem que os números finais não serão muito diferentes.

Manchas a vermelho no mapa do sistema europeu mostram áreas afetadas pelos fogos mais recentes. Imagens a amarelo mostram zonas atingidas por fogos mais antigos e com área mais bem identificada

É possível que uma análise mais fina e o cruzamento de outros dados chegue a uma área ardida inferior à agora apontada no sistema europeu, mas também há zonas atingidas por fogos que não aparecem ainda no mapa do EFFIS, em alguns casos devido a problemas de visibilidade.

De acordo com informação recolhida pelo Observador, o trabalho de levantamento da área ardida está já a ser feito por responsáveis do ICNF com apoio da GNR e dos técnicos florestais das autarquias. Mas este levantamento também está a ser condicionado pela prioridade que está a ser dada pelos autarcas à identificação de prejuízos em área urbana, a nível de residências, infraestruturas e fábricas.

Mas ao nível da floresta já se sabe que há danos irreparáveis. Se 80% da Mata do Pinhal de Leiria ardeu, estamos a falar de 10 a 11 mil hectares. E na Serra do Caramulo ardeu praticamente tudo o que ainda não tinha ardido. De acordo com os dados mais atualizados do sistema europeu, estas são as áreas afetadas em maior dimensão:

  • Pinhal Interior Norte (concelhos de Santa Comba Dão, Oliveira do Hospital, Tondela, Tábua, Nelas, Penacova, Arganil, Lousã, Vila Nova de Poiares) — mais de 60 mil hectares
  • Pinhal Interior Sul (Pampilhosa da Serra, Oleiros) — Mais de 30 mil hectares
  • Baixo Mondego (Mira e região a Norte da Figueira da Foz) — Mais de 20 mil hectares
  • Pinhal Litoral (mata nacional do Pinhal de Leiria, Vieira de Leiria, Mata Nacional do Urso ) — Mais de 18 mil hectares
  • Serra da Estrela (Gouveia, Seia) — Quase dez mil hectares
  • Dão Lafões (Vouzela, Oliveira de Frades) — Quase seis mil hectares
  • Tâmega (Castelo de Paiva) — Mais de cinco mil hectares

Nos próximos dias deverá ser divulgado o primeiro relatório provisório destes incêndios.

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