Esta quarta-feira, a Assembleia geral das Nações Unidas (ONU) aprovou, pela 26ª vez, uma resolução que pede o fim do embargo comercial dos Estados Unidos a Cuba, com os votos favoráveis de 191 países. Só os Estados Unidos e Israel — que no ano passado se abstiveram — votaram contra.

Todos os anos é votada nas Nações Unidas uma resolução que apela ao fim embargo dos Estados Unidos a Cuba — um embargo que perdura há 55 anos.

A embaixadora norte-americana na ONU, Nikki Haley, declarou que “todos os anos, a Assembleia Geral perde o seu tempo a examinar esta resolução”, aprovada desde 1991. A diplomata garantiu que os EUA não procuram o isolamento, mas vão continuar a votar contra este tipo de resoluções “enquanto o povo cubano estiver privado dos seus direitos”. “O bloqueio a Cuba está inscrito na lei americana e só o Congresso americano pode terminá-lo”, apontou, referindo o “estado deplorável da economia cubana” e a “opressão do povo” como razões para isso não acontecer.

O ministro dos Negócios Estrangeiros, Bruno Rodriguez, criticou as “declarações irresponsáveis” de Nikki Haley, acusando-a de ser cínica e de desprezar a carta das Nações Unidas.

Os russos e chineses também criticaram na ONU o que Moscovo chamou “recuo evidente” dos americanos em relação a Cuba e “retórica belicista” dirigida à ilha a que os Estados Unidos impuseram um bloqueio em 1959.

No ano passado, e pela primeira vez, os Estados Unidos não votaram contra a resolução, optando por abster-se. À época, ainda Barack Obama era presidente e, durante a sua estadia na Casa Branca, os Estados Unidos e Cuba acordaram restabelecer (em julho de 2015) as relações diplomáticas com Cuba, reabrindo as embaixadas de ambos os países em Washington e Havana.

Importa referir que a votação desta resolução (aprovada anualmente) não é juridicamente vinculativa. O levantamento do embargo está nas mãos do Congresso norte-americano. E sendo este de maioria republicana (e dentro da maioria republicana há igualmente uma maioria conservadora), tem-se oposto ao fim da proibição das relações comerciais entre os dois países.