O presidente da Comissão Europeia deixa um aviso a Puigdemont e aos independentistas catalães: “Não devem ignorar o apoio a Rajoy na Europa.” Jean-Claude Juncker dá uma entrevista ao jornal espanhol El País para dizer que quem defende a independência está isolado e que o processo inaugurado com o referendo que deu o sim à independência da Catalunha foi “um erro”, “um desastre” que “nunca devia ter acontecido”.

Para Juncker, a mais pesada das faturas está a ser paga pelos próprios espanhóis. O processo independentista “rarefez a atmosfera política, gerou uma fratura interna na sociedade espanhola e na catalã” ao criar “problemas dentro das famílias, entre os amigos”. E isso “é triste”, “nunca devia ter acontecido”, diz o líder do executivo comunitário.

Também ele pesado nas palavras, ainda com os processos (e, sobretudo, os resultados) eleitorais mais recentes em países como a Áustria, Holanda ou Alemanha, em que a extrema-direita pulou várias posições no ranking parlamentar, Juncker diz que “o nacionalismo é veneno”. Diz-se “a favor da Europa das regiões” — um ponto de aproximação entre os discursos de nacionalistas e independentistas –, mas lembra que o “respeito pela identidade” e pela “diferença” não se traduz numa Europa espartilhada em múltiplas regiões.

Esse apoio à identidade, concretiza, “não supõe que vamos seguir essas regiões em todas as suas aventuras, que por vezes são um tremendo erro, ainda mais se se declara uma independência unilateral tendo por base um referendo sem garantias”, diz ao El País. Até porque, sustenta, o processo independentista surge fora de tempo: “O que exige o momento não é divisão, mas que se coloque toda a ambição, talento, energia dos europeus em comum” e, nesta perspetiva, “o que a Catalunha fez é exatamente o oposto”.

Com Puigdemont, nunca contactou pessoalmente. Rajoy, por outro lado, é “um bom amigo”. E, como presidente da Comissão, Juncker mostra “apoio à postura do Governo espanhol”, que cumpriu a lei ao invocar o artigo 155 da Constituição do país para retirar ao executivo da região autónoma a sua margem de manobra. “Estou com quem respeitou a Constituição, não posso apoiar quem a viola”.

A mensagem para Puigdemont é clara. “Se alguma vez pensou que o apoiaríamos, que se desengane: não vamos fazê-lo.” E garante “nem um único” país da União estará ao lado do processo desencadeado pelo até há poucas semanas líder da Generalitat.

No próximo mês, os catalães regressam às urnas. Juncker começa por dizer que não quer pronunciar-se sobre um processo eleitoral interno com respostas que poderiam apenas ser construções hipotéticas de cenários futuros. Mas lá adianta que “o 21 de dezembro é o dia a partir do qual tudo poderia, deveria, melhorar”, outro ponto em que está em linha com o pensamento de Mariano Rajoy. “Esse será o momento de restabelecer a normalidade: o poder é a capacidade de redefinir uma situação complexa; a política, a arte de regressar tão cedo quanto possível à normalidade”.