O número de migrantes que chegam à Europa via Líbia registou uma descida acentuada no terceiro trimestre do ano, revela um relatório do Alto-Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados, divulgado esta quinta-feira.

Entre julho e setembro, o número de pessoas que atravessaram o mar Mediterrâneo a partir da Líbia, com destino a Itália, caiu de 11.500 para 6.300, para um total de 21.700 no trimestre.

O Alto-Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados assinalou que, em julho, “a Comissão Europeia anunciou um plano de ação para reduzir o número de travessias ilegais até à Itália, enquanto as autoridades italianas realizaram uma série de encontros com a Líbia com o mesmo objetivo”.

As organizações não-governamentais, entre as quais os Médicos Sem Fronteiras, criticaram com veemência a política europeia na gestão de migrantes provenientes daquele país do norte de África, estimando que a União Europeia se guia pela “única ambição de manter essas pessoas fora da Europa”.

Em meados de novembro, o Alto-Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Zeid Ra’ad Al Hussein, qualificou de “desumana” a “política da União Europeia de auxílio à guarda costeira líbia, para intercetar os migrantes e fazer com que retornem” a África.

No que se refere a migrações que atravessam o Mediterrâneo oriental, via Turquia, o relatório do Alto-Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados sublinhou o aumento do número de pessoas que conseguiram a travessia no terceiro trimestre, com 3.330 pessoas em julho, 4.500 em agosto e 6.600 em setembro.

Neste último mês, um total de 4.900 pessoas chegou à Grécia, “um número que é o mais elevado num mês, depois de março de 2016 e do acordo entre a União Europeia e a Turquia e o encerramento da apelidada rota dos Balcãs”.

A travessia de África para Espanha, a partir da costa marroquina, foi a rota que registou menos pessoas a chegarem à Europa de julho a setembro, com 7.800 casos.

Não obstante a redução do número de travessias no Mediterrâneo central, milhares de pessoas continuam a tentar uma viagem perigosa e desesperada até à Europa”, afirmou Pascale Moreau, diretora do Alto-Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados na Europa.

Em 20 de novembro, “estimou-se em perto de três mil pessoas os mortos ou desaparecidos no mar Mediterrâneo, aos quais se juntam 57 outros mortos nas estradas da Europa ou nas fronteiras europeias”, lembrou.