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Rui Rio quer ir além de Centeno e defende “superávite” das contas públicas

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O atual Governo conseguiu os dois défices mais baixos da democracia, mas Rio propõe-se a fazer melhor: superávite nas contas públicas. Sobre o partido, diz que vai "claramente" à frente de Santana.

JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

Rui Rio não quer ir só além do PEC (Programa de Estabilidade e Crescimento), mas também além de Centeno. Numa altura em que o Governo socialista atinge valores de défice historicamente baixos, o candidato à liderança do PSD defende, em entrevista à SIC, que para o país ter “finanças públicas bem geridas, as contas devem ter um superávite para poderem ter défice quando a economia começa a cair.” Foi isso que quis para a câmara do Porto, é isso que quer aplicar ao país, embora saiba que a opinião é “politicamente incorreta“.

Rui Rio explicou ainda que só faria pior que Maria Luís Albuquerque “no sentido do rigor do rumo“, até porque considera que o Governo PSD/CDS devia ter tido “uma combinação das medidas diferente“, que tivesse tido “mais cuidado com os pensionistas”.

Na mesma entrevista esta segunda-feira à noite, Rui Rio admitiu ainda que viabilizará um Governo minoritário de António Costa, desde que o PS seja o partido mais votado nas próximas legislativas. O candidato à liderança do PSD acusa Santana de querer vingar o que o PS fez em 2015 ao PSD: “O meu adversário está a dizer que faria a António Costa o mesmo que António Costa fez a Passos Coelho“. E nesse caso, avisa, “temos a esquerda mais quatro anos“. O autarca portuense admite que esta opinião possa ser impopular junto de alguns setores do partido, mas mostra-se confiante quanto à vitória nas diretas de 13 de janeiro: “As indicações que eu tenho e que ele [Santana] tem é de que eu vou claramente à frente“.

O candidato explica que apoiaria o governo minoritário por uma questão de coerência, já que o PSD não pode dizer que Costa não devia governar e depois ir fazer o mesmo. Ora, no PSD, a retórica dominante tem sido diferente: ao ter aberto esta caixa de pandora, o PS não conta mais com os sociais-democratas. Rio pensa diferente. E assume-o. Mas deixou um sinal que isso nunca aconteceria no atual contexto: “Antes das eleições, o partido maioritário é o PSD”. Rui Rio diz até que atualmente “Passos Coelho devia ser o primeiro-ministro”.

O debate televisivo na RTP, no qual Santana levou a melhor, voltou a ser assunto. Rui Rio voltou a justificar-se a dizer que “baixava o nível do debate” se tivesse seguido o mesmo registo de Santana Lopes. “Quanto às trapalhadas, podia ter dito duas ou três. Mas ia dizer todas? E ele rebatia? Acha que era bonito?”

Rui Rio diz que tinha “recortes dele” (Santana Lopes) a dizer “que ele era melhor presidente para o partido já no tempo de Passos Coelho”. “E não usou?”, questionou a jornalista. Rio respondeu: “Não usei, não. Nem sequer o levei [ao recorte da notícia]”.

O portuense admite que Santana está hoje “mais maduro” e “mais velho”, mas vê no adversário a “instabilidade das quais decorrem trapalhadas” e diz que já existe “hoje situações parecidas às trapalhadas de Santana Lopes”. Rui Rio quer ainda que Santana peça desculpa aos militantes pela atitude no debate e lembrou a referência à missiva que escreveu com Costa: “Escrevi uma carta com António Costa isso é algum crime?”

Desta vez, Rui Rio lá foi mandando farpas a António Costa. Lembrou que o primeiro-ministro queria “ser líder do PS porque ganhou por poucochinho e acabou por perder”. Além disso, afirmou que “este Governo, muito encostado à esquerda, faz o indispensável”.

Como modelo económico, Rui Rio defende uma estratégia assente “nas exportações e no investimento” e diz que uma das vantagens do seu PSD face a António Costa é assegurar um “melhor ambiente para os empresários investirem”. Voltou, também, a insistir na descida do IRC.

Sobre o trabalho da atual procuradora-geral da República, Joana Marques Vidal, Rui Rio não quis “fulanizar”, mas não quis dizer se o partido apoiaria a recondução da procuradora no cargo. Além disso, explicou que no debate não fez “nenhuma crítica à atuação do Ministério Público atualmente”, mas “a apreciação ao longo dos anos” em que o MP teve uma “eficácia abaixo” do que devia.

Quanto a Marcelo, Rio disse que o Presidente devia ter mais “recato” na “quantidade das declarações” e “não no teor” das mesmas, devendo por isso ter mais “recato no excesso de exposição”.

No fim da entrevista, Rio não conseguiu dizer a última vez que foi ao teatro e tentou lembrar-se da última vez que foi ao cinema. Lembrou-se, mas foi há muito tempo: no dia a seguir a ter saído da câmara. Ou seja: há mais de quatro anos.

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