O Presidente da Turquia advertiu esta quinta-feira que não aceitará pedidos de extradição de suspeitos de terrorismo para os EUA enquanto este país não entregar o predicador Fethullah Gülen, que Ancara acusa de ter instigado o golpe de Estado de 2016.

Recep Tayyip Erdogan recordou que nos últimos 15 anos a Turquia entregou aos Estados Unidos 12 suspeitos por terrorismo procurados por Washington, informou a agência noticiosa Anadolu.

“Agora pedimos um terrorista e não nos dão. Colocam pretextos…”, referiu Erdogan numa referência a Gülen, um antigo aliado do político islamita e residente no estado da Pensilvânia (EUA) desde 1999.

“Lamento, mas se não nos entregarem este, a partir de agora, quando nos quiserem pedir algum terrorista, enquanto este miserável [Gülen] estiver no ativo, não o receberão”, disse o chefe de Estado turco durante um discurso, dirigindo-se ao seu homólogo norte-americano Donald Trump.

“Onde está a cabeça desta organização? Está na Pensilvânia. Quem está por detrás dela? Na sua câmara oculta, também estão dos Estados Unidos”, assegurou Erdogan, citado pela agência noticiosa Efe.

As autoridades turcas pediram à administração norte-americana a detenção de Gülen em junho de 2016, pouco dias após o fracassado golpe de Estado, mas responsáveis em Washington consideraram que o pedido não preenchia os requisitos, incluindo a comprovação de uma relação evidente entre o acusado e a intentona militar.