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A Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (SCML) ainda não tem os dados requisitados para avaliar a Caixa Económico Montepio Geral e a sua futura entrada no capital da instituição financeira. Isto porque a entidade que contratou há quatro meses, o Haitong Bank, para fazer uma análise aprofundada ao banco, não recebeu a informação pedida à associação mutualista, revela o Público.

O banco de investimento terá solicitado à associação que é dona do Montepio uma série de números adicionais relacionados com algumas operações do banco, para assim avaliar e antecipar eventuais riscos do negócio. Essa informação, conta o jornal, foi pedida durante um encontro “sigiloso”, no passado dia 21 de dezembro, na Santa Casa, que reuniu responsáveis do Haitong, da Santa Casa, da associação mutualista e da sociedade de advogados Morais Leitão, Galvão Teles, Soares da Silva & Associados (que está a assessorar a SCML nesta operação de entrada no capital do Montepio).

O dados pedidos, contudo, ainda não foram facultados sob o argumento de que é necessário fechar primeiro as contas de 2017 para poder fornecer os números definitivos e também porque a atual gestão de Félix Morgado está de saída. O Público confrontou a associação mutualista, que desmentiu a notícia, reforçando ainda que “não tem comentários adicionais a fazer, obrigando-se a respeitar escrupulosamente os acordos contratuais de confidencialidade entre as partes”.

O negócio em causa envolve um investimento entre 150 milhões e 200 milhões de euros para adquirir uma fatia de capital nunca superior a 10%. Sobre esta operação, o jornal Eco reforça que essa potencial entrada da Santa Casa no Montepio pode ter de passar pelo crivo de Bruxelas. Isto porque se trata de uma entidade tutelada pelo Estado, que faz parte do perímetro das administrações públicas, e que gere dinheiro de um exclusivo legal — os jogos sociais . Como tal, surgem dúvidas quanto ao cumprimento das regras das ajudas de Estado. Se a Santa Casa quiser avançar com o negócio, o Governo deve notificar a Comissão Europeia para que Bruxelas estude o dossier e dê o seu parecer.

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