A intensificação dos combates no Iémen originou mais de 32 mil novos refugiados nos últimos dois meses, disse esta sexta-feira o Alto Comissariado da ONU para os Refugiados (HCR).

Estes civis juntam-se aos cerca de dois milhões de iemenitas forçados a abandonar as suas regiões de origem devido à guerra, acrescenta um comunicado da agência da ONU.

“O início do inverno no Iémen, com temperaturas que podem descer abaixo de zero em diversas regiões, intensificou as dificuldades para numerosas pessoas, em particular as que foram deslocadas e vivem em instalações informais (…) mal protegidas do frio”.

Shabia Mantoo, porta-voz da organização no Iémen, indicou hoje na rede social Twitter que estas deslocações de populações foram provocadas pelo ressurgimento dos combates na capital Sanaa, controlada pelos rebeldes Huthi, e nas províncias de Hodeida, junto ao Mar Vermelho, e Chabwa, no sul do país.

“Continuam a assistir a uma relação entre a intensificação das hostilidades e as vítimas civis e ainda a deslocação [de populações]”, acrescentou.

A guerra no Iémen opõe as forças governamentais aos rebeldes Huthi, apoiados pelo Irão, que em 2014 conquistaram vastos territórios, incluindo a capital Sanaa.

Em março de 2015, uma coligação dirigida pela Arábia Saudita desencadeou uma intervenção militar no país em apoio às forças governamentais iemenitas e ao seu Presidente Abdo Rabbo Mansur Hadi, refugiado em Riade.

Mais de 9.200 pessoas foram mortas e perto de 53 mil feridas, incluindo numerosos civis, devido a esta intervenção, referem os dados da Organização Mundial da Saúde.

Em dezembro a coligação árabe intensificou a campanha aérea contra os rebeldes em redor de Sanaa e junto à costa, após a interceção pelas forças sauditas de um míssil disparado pelos rebeldes em direção a Riade, a capital.

No terreno, as forças da coligação e as tropas governamentais iemenitas tentam retomar o porto de Hodeida, controlado pelos rebeldes, uma zona estratégica decisiva para a entrada de ajuda humanitária.

No entanto, continua a enfrentar uma forte resistência dos Huthi e aliados, que para além de Sanaa controlaram uma grande parte do norte do país.

“As últimas violências agravaram a pior crise humanitária do mundo, com mais de 22 milhões de pessoas que dependem de ajuda, ou seja três quartos da população” do Iémen, sublinhou o HCR.

Na quarta-feira, a Arábia Saudita anunciou a próxima transferência de dois mil milhões de dólares (1,6 mil milhões de euros) para o Banco central do Iémen, em crise de liquidez, após os apelos do presidente e primeiro-ministro do país vizinho.

Esta transferência fez ascender a três mil milhões de dólares o montante total de somas transferidas pelo reino saudita ao Banco central do Iémen, onde o valor do riyal, a moeda local, continua em queda.

A decisão inscreve-se “no prosseguimento do apoio do reino (saudita) ao povo iemenita”, sublinhou uma declaração oficial emitida em Riade.

A Arábia Saudita também está confrontada com sérias dificuldades económicas, e em 2018 vai registar um orçamento em défice de 52 mil milhões de dólares (42,5 mil milhões de euros).