Em Janeiro, numa auto-estrada em que a velocidade máxima permitida é de 113 km/h (70 milhas por hora), o CEO da Lotus foi apanhado pelas autoridades a circular a 164 km/h (102 mph). Jean-Marc Gales, de 54 anos, conduzia um dos desportivos da casa e seguia a mais de 50 km/h acima do limite legal, o que não o impediu de escapar da situação de uma forma bem mais airosa do que aquilo que lhe poderia ter sido determinado pelo tribunal. Isto, apesar de ser um reincidente em matéria de excesso de velocidade.

O caso é relatado pelo The Telegraph, com o jornal a sublinhar que, normalmente, uma infracção destas é punida com seis pontos na carta de condução ou com a inibição de conduzir por um período que pode ir dos sete aos 56 dias.

Sucede, porém, que a aplicação da primeira punição seria dramática para Jean-Marc Gales, pois o homem tem vindo a amealhar pontos como quem faz uma colecção… Precisamente, com o mesmo tipo de infracção (excesso de velocidade), e na mesma auto-estrada – facto que se explica pelo facto desta via se localizar nas imediações da sede da Lotus, em Norwich. Ora, se os magistrados tivessem optado por lhe somar os tais seis pontos à carta, Gales não tinha escapatória. Contas feitas, atendendo ao histórico do condutor em questão, o resultado só seria um: Jean-Marc ficaria inibido de conduzir durante seis meses.

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Perante este quadro, entrou em cena o advogado do CEO, Simon Nicholls, que conseguiu que o seu cliente escapasse sem qualquer ponto adicional na licença, com o argumento de que era “vital” que Jean-Marc Gales pudesse continuar a testar, ele próprio, as novas motorizações da Lotus. Embora, como é natural, a marca disponha de técnicos para fazer este trabalho…

Quem é Jean-Marc Gales?

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À frente dos destinos da Lotus desde 2014, Jean-Marc Gales tem um currículo de altos cargos. Foi director executivo da Opel e da Saab de 2004 até 2006, antes de se tornar director de vendas global da Mercedes-Benz, entre 2006 e 2009. Rumou depois à PSA, onde subiu a número 2 em meados de 2009, sendo o braço-direito de Philippe Varin, o antecessor do português Carlos Tavares no seio do grupo francês. Em 2012, Gales saiu da PSA para ingressar na CLEPA – Associação Europeia de Fornecedores Automóveis.

A verdade é que a desculpa/argumento ‘pegou’, com o colectivo de juízes a mostrar-se sensibilizado perante tamanha dedicação de um CEO que, segundo Nicholls, faz questão de ver pessoalmente como é que os novos produtos da marca que dirige se comportam no asfalto. Se a punição passasse pelos pontos, Gales não o poderia fazer “pessoalmente” durante seis meses. Assim, só não vai poder guiar durante 30 dias, porque foi essa a sentença da juíza. Mary Wyndham determinou ainda o pagamento de uma multa (cerca de 765€, mais 190€ de outros encargos) e recomendou que Gales, da próxima vez que quiser testar carros, use uma pista e não a via pública.