Christopher Wylie, o ex-funcionário da empresa de análise de dados Cambridge Analytica que expôs ao The Observer (publicação semanal do The Guardian) que mais de 50 milhões de perfis foram recolhidos para ajudar a eleição de Donald Trump, teve a sua conta suspensa do Instagram e do Facebook.

Numa partilha no Twitter, o analista de dados mostrou uma captura de ecrã onde se vê a aplicação do Facebook e a informação “a conta foi desativada”. No Instagram (detido pelo Facebook), noutro Tweet partilhado por Wylie, aparece a informação que a conta foi banida “violar os termos” da empresa.

A Cambridge Analytica, através de uma aplicação criada por Aleksandr Kogan, professor de psicologia da Universidade de Cambridge, recolheu mais de 50 milhões de informação de perfis para poder criar publicidade específica para influenciar o sentido de voto dos eleitores nas eleições americanas.

[Veja no vídeo como a Cambridge Analytica usurpou os dados de milhões de pessoas no Facebook]

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O Facebook afirmou que o episódio não se tratou de uma “brecha de segurança”, pois os utilizadores concordaram ao aceder à aplicação em partilhar os seus dados e dos amigos que têm na plataforma. No mesmo comunicado, divulgado um dia antes de a notícia ser partilhada pelo The Guardian, a empresa afirmou que ia cortar todas as relações com a Cambridge Analytica.

Wylie, que já não trabalha com a empresa de análise de dados, diz que o Facebook sabia que a empresa estava a utilizar a informação na sua plataforma há cerca de dois, “mas nada fez”. O analista afirma que expôs o trabalho que fez na empresa “para as pessoas saberem o que andam a fazer com a informação que põem na plataforma”. Numa entrevista ao mesmo meio, Wylie diz que o Facebook lhe pediu, em 2016, para apagar os dados que tinham recolhido, mas nunca confirmou se o tinha feito.

A Cambridge Analytica era, à altura, gerida por Steve Bannon, um dos principais conselheiros de Donald Trump. A empresa é detida por um fundo de investimento do multimilionário Robert Mercer. O empresário ajudou também, através de doações, a campanha do Brexit, apoiando Nigel Farage, principal rosto da saída do Reino Unido da União Europeia.

Em fevereiro, o Facebook e o presidente da Cambridge Analytica, Alexander Nix, confirmaram ao comité do parlamento britânico que está a investigar a divulgação de notícias falsas online que aquela empresa de análise de dados nunca tinha utilizado informações recolhidas no Facebook.

[Veja no vídeo 5 medidas que pode tomar para proteger a sua conta do Facebook]