Défice

Bloco acusa Centeno de ir “orgulhosamente além das metas do défice”

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O deputado Moisés Ferreira assumiu as divergências do partido com a estratégia de Mário Centeno, acusa-o de ir "orgulhosamente além das metas do défice" e questionou novas metas. Centeno não gostou.

TIAGO PETINGA/LUSA

O Bloco de Esquerda acusou esta o ministro das Finanças de ir “orgulhosamente além das metas do défice” e confrontou Mário Centeno com a redução do défice além do previsto para este ano que o Governo está a planear, questionando o governante se este irá avançar com este plano para “fazer boas figuras em Bruxelas”.

Numa linha abertamente dura a poucos dias da entrega ao Parlamento do Programa de Estabilidade, o deputado bloquista Moisés Ferreira atacou o controlo orçamental de Mário Centeno, acusando-o de ter “no seu gabinete uma gaveta muito funda onde ficam lá os investimentos” no setor da saúde.

Durante a audição de Mário Centeno no Parlamento, em que o ministro responde aos deputados sobre as dívidas dos hospitais do Serviço Nacional de Saúde, o deputado atacou a estratégia do atual Governo de comparar o seu desempenho com o desempenho do governo anterior, e que o próprio Mário Centeno “vai, contrariamente e orgulhosamente além das mestas do défice, e isso está a trazer graves prejuízos ao Serviço Nacional de Saúde”.

“[No ano passado] havia uma margem de 1200 milhões de euros para investir no SNS. Foi o senhor ministro que preferiu pegar nesses 1200 milhões de euros para lhe dar um sumiço”, acusou. Agora, “quer rever em baixa a previsão do défice para 0,7%, quando estava previsto nos 1,1%”, disse o deputado, antecipando as metas que o Governo irá incluir no Programa de Estabilidade – uma diferença de 800 milhões de euros -, para questionar logo de seguida o ministro: “vai insistir nesta tática de ir para além das metas do défice, que em nada melhoram a vida das pessoas, ou vai pegar nestes 800 milhões de euros e investir naquilo que deve ser feito, que é investir no SNS?”.

“Está do lado de quem quer fazer boas figuras em Bruxelas ou está do lado do Serviço Nacional de Saúde?”, questionou o deputado.

Mário Centeno não escondeu o seu desagrado durante a intervenção do deputado do Bloco de Esquerda, abanando a cabeça em sinal de discordância enquanto o deputado fazia a sua intervenção.

Não entendo o que me diz o que me diz”, começou por dizer o ministro ao deputado na sua resposta. Mário Centeno alternou entre dizer que os casos específicos que o deputado referiu “não são matéria do Ministério das Finanças”, a mensagem da necessidade de rigor nas contas e a de que, ainda assim, houve um investimento massivo no setor.

Mário Centeno disse mesmo que “gostava que os deputados interiorizassem” o esforço feito de contratação de novos trabalhadores para a saúde – 8480 no total, de acordo com as contas do Ministério das Finanças -, isto depois de o deputado ter enumerado casos de atos médicos não realizados em várias partes do país devido à falta de pessoal.

O ministro disse também que a politica orçamental que o Governo tem seguido “não é inconsequente, nem espúria”, como acusou o deputado do Bloco, e que foi essa mesma política que permitiu que o orçamento do Serviço Nacional de Saúde aumentasse 700 milhões de euros em três anos.

“O que o país conseguiu e a margem de ação dos seus custos de financiamento, permite e tem permitido, através da melhoria das condições de financiamento, uma recuperação dos serviços públicos que nunca terá a rapidez que cada um de nós deseja”, disse.

Ainda assim, lembrou, estas questões “são matérias de escolhas de prioridades e da limitação de um orçamento que não é infinito”. “Não é um problema deste ministério das Finanças, nem sequer de Portugal”, disse, afirmando que o esforço de contratação que foi feito, que terá aumentado o número de trabalhadores no SNS em 7,3%, “é algo que “não pode ser repetido no futuro” devido à dimensão do esforço”.

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