As cidades de Évora e Mérida não vão estar ligadas por uma linha de alta velocidade (habitualmente  designada por TGV). Depois do desmentido do Governo, a comissária Violeta Bulc publicou esta quinta-feira uma mensagem na conta oficial do Twitter para a área dos Transportes esclarecendo que o que está em causa é uma linha de transporte ferroviário “convencional”.

Através da conta EU Transport, a Comissão Europeia refere que a linha ibérica de comboio será feita através de uma “linha convencional” e não de uma estrutura que assegure, para já, o transporte de alta-velocidade. “Isto ajudará ao transporte de cargas a partir de Portugal e ao tráfego de passageiros entre Lisboa e Madrid”, refere a nota da Comissão Europeia.

Entretanto, Enrico Brivio, porta-voz da Comissão Europeia, disse que Bruxelas “felicita o compromisso renovado de Espanha e de Portugal para criar uma ligação ferroviária convencional entre Évora e Mérida” e que, “contrariamente a alguns relatos e alegações, a Comissão não exige que esta secção seja de alta velocidade”.

Mas há condições a que o projeto ferroviário teve de responder. Numa nota escrita enviada ao Observador, o porta-voz da Comissão explica que “o direito da União exige que a infraestrutura ferroviária principal da Rede Transeuropeia de Transportes (RTE-T), à qual pertence a secção Évora-Mérida, cumpra determinados padrões de desempenho, incluindo a eletrificação total e a execução do Sistema Europeu de Gestão do Tráfego Ferroviário (ERTMS) e no que se refere ao comprimento dos comboios, à carga por eixo e à velocidade da linha”. Brivio defende que “é, agora, tempo para executar e produzir resultados”.

Ao início da manhã, a Agência Lusa dava conta de um tweet que estava prestes a ser publicado e que tornaria oficial o desenvolvimento de uma linha de TGV entre Portugal e Espanha. A informação teria sido confirmada num encontro com jornalistas por um elemento da Comissão Europeia — não citado — depois de uma reunião entre a comissária europeia dos Transportes, Violeta Bulc, e os ministros português e espanhol com essa tutela.

No final desse encontro, Bulc referiu-se a uma “reunião importante e especial com os ministros dos Transportes de França, Espanha e Portugal, que concordaram em avançar com os elos em falta [missing links] dos corredores e que, em especial, os corredores de mercadorias vão servir não apenas os países, mas as necessidades da União Europeia (UE)”.

O Governo foi o primeiro a desmentir a informação de que estava encaminhado o projeto de desenvolvimento do TGV. O ministro Pedro Marques garantiu que se trata de uma obras nos mesmos pressupostos em que já tinha aprovada — e anunciada. O “projeto inicialmente pensado teria três linhas, duas delas estariam dedicadas à alta velocidade de passageiros e uma à ferrovia de mercadorias”, mas a “linha que está em implementação agora, desse projeto maior, é a ferrovia de mercadorias”.

“É uma linha evidentemente de alto desempenho, que tornará o país como competitivo, nomeadamente os nossos portos na ligação a Espanha e na ligação europeia e é uma linha muito importante e muito prioritária para o país e absolutamente consensual no nosso país”, acrescentou o ministro, à margem da conferência sobre a rede de transporte transeuropeu, a decorrer na capital da Eslovénia, Liubliana.

[Texto atualizado às 16h30 com a posição do porta-voz da Comissão Europeia sobre o projeto ferroviário que ligará Évora a Mérida]