Rui Rio comentou esta terça-feira a demissão do Comandante Nacional da Proteção Civil. Para o presidente do PSD, António Paixão alegou razões pessoais porque é “aquilo que se alega quando não se quer dizer as verdadeiras razões”. O coronel pediu a exoneração esta segunda-feira, cinco meses depois de assumir o cargo para substituir Rui Esteves, que também se demitiu em setembro de 2017.

O presidente do PSD afirmou que é “muito preocupante” renovar o Comandante Nacional da Proteção Civil quanto falta tão pouco tempo para a fase mais preocupante do incêndios. À margem de um evento em Coimbra, para assinalar o Dia da Europa, Rui Rio defendeu que o Governo tem “mostrado incapacidade para lidar com este dossiê” e a área da Proteção Civil foi “a maior falha do Governo desde que tomou posse”.

Rio elogiou ainda a decisão do grupo parlamentar do PSD de chamar ao Parlamento António Paixão para ouvir os motivos que levaram ao pedido de demissão. Para o social-democrata, “se os problemas não forem explicados, mais difíceis são de resolver”. Rui Rio recordou que um dos dias mais dramáticos dos incêndios de 2017 foi em junho e defendeu que “se as coisas correrem bem este ano haverá uma dose de sorte” porque o planeamento não é suficiente.

Questionado sobre as declarações do Presidente da República – que em entrevista ao Público afirmou que não se recandidata caso o flagelo dos incêndios se repita este ano -, Rui Rio disse não ter qualquer comentário a fazer, já que “o professor Marcelo Rebelo de Sousa tem essa opinião e tem todo o direito a ter essa opinião”.

Um comunicado do Ministério da Administração Interna (MAI) confirmou a saída do Coronel António Paixão, que pediu a exoneração “por motivos pessoais”. Questionada pelo Observador sobre a existência de divergências face à estratégia do Governo, fonte oficial do MAI remeteu para o comunicado. Na mesma nota é dada conta da designação do Coronel José Manuel Duarte da Costa para exercer as funções de Comandante Operacional Nacional do Comando Nacional de Operações de Socorro da Autoridade Nacional de Proteção Civil. A nomeação foi feita por proposta do presidente da Autoridade Nacional de Proteção Civil, Carlos Mourato Nunes.

Segundo a RTP, a demissão de António Paixão acontece na sequência de uma reunião na passada sexta-feira com o secretário de Estado da Proteção Civil. O agora ex-comandante terá entrado em confronto com o Presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses, Jaime Marta Soares, acabando por abandonar a reunião. António Paixão que veio da GNR também terá manifestado descontentamento devido às dificuldades enfrentadas pelo Governo em contratar os meios aéreos necessários para a próxima época de combate aos fogos. A sua saída acontece a dois meses do início do período mais crítico do verão.