Banca

Horta Osório considera “inaceitável” que Manuel Pinho não diga se recebeu do GES

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António Horta Osório não compreende que "alguém que representou Portugal ao mais alto nível não venha a público" dizer se recebeu ou não quantias do Grupo Espírito Santo enquanto era ministro.

© Hugo Amaral/Observador

António Horta Osório não compreende que “alguém que representou Portugal ao mais alto nível não venha a público” dizer se recebeu ou não quantias do Grupo Espírito Santo enquanto era ministro. Em referência a Manuel Pinho, ex-ministro da Economia de José Sócrates, o banqueiro, presidente do Lloyds Bank, diz que esta é uma “pergunta clara” que tem de ser respondida, porque os portugueses “exigem e merecem” saber se isso aconteceu.

De visita a Lisboa para participar num conjunto de conferências, Horta Osório disse a alguns jornalistas, à margem de um evento organizado pela Abreu Advogados, que vê “os casos que têm vindo a ser referidos de alegada corrupção com grande preocupação”. “Espero que as responsabilidades sejam apuradas e haja as devidas consequências em função do que vier a ser apurado”, afirmou.

Em relação ao caso do ex-ministro da Economia dr. Manuel Pinho, eu acho que é sinceramente inaceitável que uma pessoa que representou o país ao mais alto nível, como ministro da Economia, não venha a público dizer aos portugueses, claramente, se houve ou não houve da parte dele recebimento de quantias do Grupo Espírito Santo ou de qualquer outra empresa enquanto era governante”.

“Acho que é uma pergunta clara que deve ser respondida de forma inequívoca e é uma questão de dever. Os portugueses exigem e merecem ter essa resposta”, rematou.

A notícia de que Manuel Pinho terá recebido quantias do Grupo Espírito Santo enquanto era ministro foi avançada em primeira mão pelo Observador no final de abril. Desde então, o ex-ministro ainda não se disponibilizou para esclarecer publicamente os factos.

“Vergonhoso” o que se passou no Sporting

António Horta Osório partilhou, também, “preocupação” e “muita pena” que sente em relação ao que se está a viver no Sporting. “O que aconteceu é vergonhoso“, atira.

“O Sporting é uma grande instituição nacional, como são, aliás, outras como o FC Porto e o Benfica — o facto de ser sportinguista é perfeitamente irrelevante”, começa por dizer o banqueiro. “Vejo isto com muita preocupação e com muita pena. O que aconteceu é vergonhoso e só espero que as responsabilidades sejam apuradas rapidamente e que haja as devidas consequências para que fique claro que este tipo de comportamentos não reflete aquilo que é a maioria dos sportinguistas nem a maioria dos portugueses, obviamente”.

A viver há vários anos em Londres, Horta Osório defende que “em termos internacionais [o que se passou] é lamentável, são comportamentos inaceitáveis”. “Comportamentos de violência devem ser banidos”, concluiu Horta Osório, recusando comentar a desvalorização bolsista do Sporting e as incertezas em torno do futuro (também financeiro) do Sporting Clube de Portugal.

Era “óbvio” que a China Three Gorges quereria um dia comprar toda a EDP

“A OPA do maior acionista da EDP é uma OPA que não me surpreende. Os chineses da China Three Gorges já eram o maior acionista da EDP portanto vejo esta OPA como o acionista maioritário de uma empresa a querer assumir o controlo efetivo da empresa e os acionistas minoritários responderam (através do preço das ações no mercado) que querem receber um prémio pela passagem desse controlo para as mãos do acionista maioritário. Nesse aspeto o mercado deve funcionar e o governo português e o sr. primeiro-ministro já se pronunciaram sobre isso”.

Quando o Estado português aceitou que a empresa chinesa se tornasse o acionista principal da EDP na minha opinião era óbvio qual seria o caminho, num prazo maior ou menor, que iria acontecer”

Há, contudo, “um segundo aspeto que será interessante observar que é como é que as diferentes jurisdições onde a EDP está presente, como seja os EUA e a União Europeia, vão reagir porque têm de aprovar este investimento potencial dos chineses na EDP, que também terá de ser aprovado nos EUA e pela Comissão Europeia”. Por outras palavras, falando “em geral” sobre o investimento chinês na Europa e nos EUA, por exemplo, Horta Osório defende que “essa aprovação vai ter uma componente política na questão da reciprocidade de investimentos, também, quer da União Europeia quer dos EUA na China”.

“As autoridades reguladoras na Europa e nos EUA vão ter isso em consideração”, conclui António Horta Osório.

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