Rádio Observador

Videojogos

O “Donkey Kong: Tropical Freeze” é uma banana dura de roer

"Donkey Kong: Tropical Freeze" foi feito para a Wii U mas chegou há poucas semanas à Switch. É uma excelente aposta para quem gosta de jogos de plataforma e tem esta consola da Nintendo.

Donkey Kong é uma das personagens mais importantes da Nintendo e esta é a sua primeira "aparição" na Switch

Autor
  • Rubber Chicken

Os dois meses que antecedem a Electronic Entertainment Expo (ou E3), em Los Angeles, costumam ser dos mais calmos em termos de lançamentos mediáticos de videojogos. Salvo raras exceções (como aconteceu este ano com God of War e Detroit: Become Human, da PlayStation 4), o período costuma ser uma época de “contagem de armas”, em que as grandes munições são apontadas para depois do verão, quando os grandes ciclos de eventos e anúncios terminam.

Com um primeiro ano verdadeiramente estrondoso em termos de vendas e com dois títulos que são verdadeiras killer apps, a Nintendo Switch tem recebido nas suas fileiras uma série de jogos exclusivos que aguçam a curiosidade em torno de si. Mas, para felicidade de alguns e para indiferença de outros, alguns destes títulos são ports de jogos já lançados na anterior consola — a Wii U –, cujo fracasso de vendas tornou “inalcançáveis” uma série de excelentes jogos que lá tiveram poucas unidades vendidas. Foi isso que aconteceu com Donkey Kong, uma das figuras mais emblemáticas da empresa nipónica.

Donkey Kong regressou à ribalta em 2014, com o jogo Donkey Kong: Tropical Freeze, da na Wii U. Sendo um excelente jogo de plataformas para toda a família, que vendeu aquém das suas possibilidades na Wii U, a Nintendo decidiu dar-lhe uma “segunda vida” ao relançá-lo para a Nintendo Switch. Ao contrário dos jogos de Kirby, que foram sendo direcionados para um público mais infantil (com a sua dificuldade a ser reduzida para ser acessível aos mais novos), Donkey Kong foi sendo desenvolvido com maior nível de desafio.

Seguindo a linha usual da série, a primeira coisa de que nos temos de mentalizar neste Donkey Kong: Tropical Freeze é que vamos “morrer”. Muitas, muitas vezes. Vamos desesperar, chorar desalmadamente e encolher-nos a um canto da sala em posição fetal enquanto pensamos naquela sequência mortal de plataformas que exige o timing e a precisão de um arqueiro de Rivendell sob o efeito de anabolizantes. Só que as formas que os game e level designers encontraram para nos “matar” são mais do que muitas e facilmente nos vamos ver a braços com porções de níveis que nos parecem impossíveis de ultrapassar.

Coerente com a dificuldade que acompanha todo o jogo é a subida de patamar das batalhas com os bosses de final de mundo, que são mais longos, mais difíceis e muito mais diversificados do que o habitual. A diversidade da nova galeria de vilões — que vão desde os inimigos principais, os pinguins, até outros adversários provenientes do gélido ártico — acaba por trazer um novo sabor ao universo de Donkey Kong, aprimorado pelas animações fluídas e consistentes, que dão vida a cada personagem, desde o mocho comum até ao grande líder dos vilões, os Snowmads. Além disso, Donkey Kong: Tropical Freeze é uma das melhores inspirações/masterclasses que alguém pode ter em jogos bidimensionais de plataformas, desde a execução, posicionamento, diversidade, criatividade, passanndo pela beleza de cada nível e de cada mundo, enaltecido na Switch pelo visual em alta definição.

A velha máxima diz que “em que equipa que ganha não se mexe” e o regresso dos Retro Studios para o desenvolvimento do segundo jogo de Donkey Kong (o antecessor também foi criado por esta subsidiária da Nintendo) parece-nos uma escolha mais do que acertada. Não se pode dizer que o jogo inove grandemente com o que foi feito antes, mas manter uma linha de coerência com a sua própria identidade permite abrir espaço para muitos outros aspetos da criação. A começar pela banda-sonora, que vê o regresso do compositor David Wise (que tinha composto as músicas dos jogos de Donkey Kong nos anos 1990).

O único ponto em que o jogo acaba por falhar é a inócua vertente de multi-jogador. Neste modo, o primeiro jogador controla DK, enquanto o segundo controla um dos companheiros. Há pouca coisa que o segundo jogador possa fazer por si só, o que acaba por aborrecer, visto que o protagonismo recai, como é óbvio, em Donkey Kong. Cedo percebemos que este é um jogo que é melhor experienciado a solo.

Quase sem diferenças entre o lançamento original de 2014 e este, Donkey Kong: Tropical Freeze é uma excelente aposta para quem gosta de jogos de plataformas e tem uma Switch. Para quem já o jogou com a Wii U, não existem argumentos para investir os 59,99 euros que custa. Mas é um excelente jogo de plataformas para toda a família, com níveis de profundidade para todos os gostos e idades, num dos grandes jogos de plataformas desta década.

Ricardo Correia, Rubber Chicken

Não queremos ser todos iguais, pois não?

Maio de 2014, nasceu o Observador. Junho de 2019, nasceu a Rádio Observador.

Há cinco anos poucos acreditavam que era possível criar um novo jornal de qualidade em Portugal, ainda por cima só online. Foi possível. Agora chegou a vez da rádio, de novo construída em moldes que rompem com as rotinas e os hábitos estabelecidos.

Nestes anos o caminho do Observador foi feito sem compromissos. Nunca sacrificámos a procura do máximo rigor no nosso jornalismo, tal como nunca abdicámos de uma feroz independência, sem concessões. Ao mesmo tempo não fomos na onda – o Observador quis ser diferente dos outros órgãos de informação, porque não queremos ser todos iguais, nem pensar todos da mesma maneira, pois não?

Fizemos este caminho passo a passo, contando com os nossos leitores, que todos os meses são mais. E, desde há pouco mais de um ano, com os leitores que são também nossos assinantes. Cada novo passo que damos depende deles, pelo que não temos outra forma de o dizer – se é leitor do Observador, se gosta do Observador, se sente falta do Observador, se acha que o Observador é necessário para que mais ar fresco circule no espaço público da nossa democracia, então dê o pequeno passo de fazer uma assinatura.

Não custa nada – ou custa muito pouco. É só escolher a modalidade de assinaturas Premium que mais lhe convier.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: observador@observador.pt
Combustível

Os motoristas e o mercado

Jose Pedro Anacoreta Correira

Quando o Governo não consegue instrumentalizar politicamente os sindicatos, passa ao ataque. A luta e defesa dos trabalhadores é só para trabalhadores do Estado e filiados na CGTP.

PSD

Rui Rio precisa do eleitorado de direita /premium

João Marques de Almeida

O eleitorado de direita deve obrigar Rui Rio a comprometer-se que não ajudará o futuro governo socialista a avançar com a regionalização e a enfraquecer o Ministério Público. No mínimo, isto.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)