Bancos Centrais

Bitcoin pode deitar a Internet abaixo, avisa o banco dos bancos centrais

Criptomoedas como a Bitcoin nunca vão ter capacidade para uma utilização generalizada, mas arriscam entupir a Internet e causar um colapso da rede. O aviso é do BIS, o "banco dos bancos centrais".

WALLACE WOON/EPA

Criptomoedas como a Bitcoin nunca vão ter capacidade para uma utilização generalizada mas, além de serem terreno fértil para fraude e levarem a um consumo desmedido de eletricidade, arriscam causar um colapso da Internet. O aviso é do Banco de Pagamentos Internacionais (conhecido pela sigla anglo-saxónica BIS, o “banco dos bancos centrais” com sede em Basileia, Suíça).

Está num longo relatório de 24 páginas, publicado no site da instituição, este alerta contra as criptomoedas. O objetivo é “ir além da euforia” e tentar antecipar que potencial (e, por outro lado, que perigo) é que as moedas digitais podem ter. A conclusão é que, por muito entusiasmo que estas moedas criem, existe “uma série de limitações” na sua conceção que será impossível que venham a ter um papel importante para a população em geral.

Demasiada volatilidade e instabilidade, demasiado consumo energético, demasiada vulnerabilidade à fraude (como a que aconteceu na Coreia do Sul há poucos dias). Estas são algumas críticas que o BIS faz à tecnologia das criptomoedas, que tem pouco mais de 10 anos e que, na ótica do BIS, são fatores que impedem que algum dia sejam vistas globalmente como uma reserva de valor legítima, além de um meio de pagamentos de transações em que todos confiem.

A descentralidade da infraestrutura que dá suporte às criptomoedas — vistas por alguns como o seu principal trunfo — é, para o BIS, uma fragilidade, pois à medida que os blocos de registo online de transações (os ledgers que formam o que se chama a blockchain) se tornarem mais densos isso levará a um excesso de transações capaz de entupir os servidores globais que alimentam a Internet. Por outras palavras, já que cada transação é confirmada e atualizada em tempo real num registo comum mas em que todos participam, “os volumes de comunicações associados podem levar a Internet a um colapso“.

No curto prazo, contudo, a principal preocupação do BIS é a questão ambiental, garantem. Com os chamados “mineiros” da Bitcoin e outras criptomoedas a investirem em computadores poderosos com placas gráficas topo de gama, o consumo energético associado já equivale àquilo que a Suíça, como país, gasta anualmente em eletricidade para as necessidades da população. “A busca de uma confiança descentralizada transformou-se, rapidamente, num desastre ambiental“.

O BIS reconhece que a tecnologia da blockchain pode trazer alguns benefícios para o sistema financeiro mundial, sobretudo na área dos pagamentos e transferências internacionais, mas uma coisa é a tecnologia outra coisa é a confiança em quem a usa. “A confiança pode evaporar-se a qualquer momento devido à fragilidade do registo comum descentralizado em que as transações são registadas”, alerta o BIS, acrescentando que “isto não só coloca em causa a conclusão dos pagamentos individuais como pode significar que uma criptomoeda deixa de funcionar e resulta numa perda total de valor“.

bitcoin é a mais conhecida, estando longe de ser a única, criptomoeda. O seu valor caiu para metade desde o início do ano, estimando-se um valor total de 280 mil milhões de dólares neste mercado, segundo a CoinMarketCap.

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