Marcelo Rebelo de Sousa já está bem. Depois do desmaio deste sábado de manhã em Braga, falou aos jornalistas, e contou que esteve a soro. Apesar de se sentir ainda fraco, e de cancelar a agenda do dia, disse já estar a recuperar. O motivo, explicou, foi uma intoxicação alimentar, que lhe causou desidratação e o consequente desmaio, numa altura em que naquela cidade se sentiam 37º graus.

Esta não é a primeira vez que Marcelo, depois de eleito Presidente da República, apanha um susto de saúde. E também não é o primeiro Chefe de Estado a sentir-se mal durante o mandato. A lista não é longa, mas cabem nela Aníbal Cavaco Silva e Jorge Sampaio — este último teve mesmo de ser susbtituído pelo então presidente da Assembleia da República, e segunda figura de Estado, António Almeida Santos.

Marcelo Rebelo de Sousa: hérnia encarcerada

A 28 dezembro de 2017, Marcelo Rebelo de Sousa foi internado de urgência. O motivo? Antecipação de uma cirurgia a uma hérnia umbilical, devido a um encarceramento, que pode provocar complicações. Apesar de a operação estar há muito prevista para o dia 4 de janeiro de 2018, os médicos assistentes decidiram antecipá-la, por ter encarcerado.

O Chefe do Estado cancelou toda a agenda desse e dos dias seguintes, incluindo as deslocações previstas para 31 de dezembro (dia em que teria alta) e 1 de janeiro, à área dos incêndios de Pedrógão.

O Presidente foi operado por Eduardo Barroso, sobrinho de um outro antigo Presidente da República, Mário Soares. “O intestino meteu-se no orifício da hérnia e não ia para dentro e, portanto, obrigava a uma intervenção de urgência. Felizmente foi feita porque, de facto, obrigou a uma pequenina recessão do intestino”, explicou na altura o médico.

Ainda na cama do hospital Curry Cabral, onde foi operado, Marcelo Rebelo de Sousa promulgou quatro diplomas sobre monumentos nacionais e estímulos ao emprego. O Presidente nunca chegou a pedir ao Tribunal Constitucional que o considerasse impedido temporariamente de exercer o cargo. Se o tivesse feito, teria sido Eduardo Ferro Rodrigues, presidente da Assembleia da República, a substituí-lo.

Aníbal Cavaco Silva: dois desmaios

Há precisamente quatro anos, a 10 de junho, o então Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, teve uma reação vagal. Estava na Guarda, a fazer o discurso do Dia de Portugal, quando se sentiu mal e caiu. Teve de ser levado em braços pelos militares presentes.

“O senhor Presidente da República sentiu uma reação vagal, da qual recuperou rapidamente, nunca tendo perdido a consciência e sempre manifestou intenção de concluir o seu discurso”, informou na altura à agência Lusa o major-general médico José Duarte, da Força Aérea, que assistiu Cavaco Silva no local.

Cavaco foi assistido no local pela equipa médica presente, e Passos Coelho, que na altura era primeiro-ministro, apressou-se a sair da tribuna para acompanhar a recuperação do então Presidente da República. Passou-se meia hora até Cavaco voltar e retomar o discurso, não tendo sido transportado para o hospital.

O primeiro desmaio de Cavaco Silva não foi o de 2014. Antes disso, em 1995, durante a tomada de posse do Governo de António Guterres, o então Presidente — que estava a chegar ao final do mandato — sentiu-se mal no Palácio de Belém.

Mais tarde, Cavaco Silva justificou o desmaio com as horas difíceis que tinha passado devido à morte do sogro.

Jorge Sampaio: operação ao coração

Em julho de 1996, um prolapso da válvula mitral fez com que Jorge Sampaio, então Presidente da República, tivesse de ser operado ao coração. A intervenção foi considerada de rotina e não apresentava praticamente riscos, mas, apesar disso, o chefe de Estado pediu ao Tribunal Constitucional que reconhecesse o seu impedimento temporário para o exercício do cargo. Com este procedimento, poderia ser substituído no cargo pela segunda figura de Estado.

O cargo de Presidente da República interino foi assumido pelo então o presidente do Parlamento, António de Almeida Santos.